Dengue com Sinais de Alarme: Identificação e Manejo Pediátrico

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 5 anos é levada ao pronto atendimento com história de febre há 4 dias, mialgia, prostração e cefaleia. Há 24 horas, evoluiu com exantema máculopapular com prurido e desaparecimento da febre. A mãe negava sangramentos, mas referia dor abdominal importante e vômitos incoercíveis também há 24h. Ao exame físico: regular estado geral, desidratada, afebril, eupneica e com hepatomegalia dolorosa a 3 cm do rebordo costal direito e dor abdominal à palpação superficial e profunda. Pressão Arterial (PA) dentro da normalidade para idade e boa perfusão periférica. Teste rápido para dengue foi positivo. Conforme o caso descrito, o paciente

Alternativas

  1. A) encontra-se na fase crítica da doença com sinais de alarme, devendo ser internada e serem iniciadas hidratação venosa e monitorização dos sinais vitais assim como exames laboratoriais.
  2. B) deve ser orientado sobre a hidratação oral e o retorno em 48h por apresentar PA normal, boa perfusão periférica e não ter sangramentos.
  3. C) não apresenta ainda sinais de alarme e deve ser solicitado hemograma para definir melhor a indicação de internação.
  4. D) não apresenta critérios clínicos para internação, visto que a dor abdominal e os vômitos incoercíveis não são considerados sinais de alarme.

Pérola Clínica

Dengue: dor abdominal intensa + vômitos incoercíveis + hepatomegalia = Sinais de Alarme → Internação e hidratação IV.

Resumo-Chave

A criança apresenta múltiplos sinais de alarme para dengue grave (dor abdominal intensa, vômitos incoercíveis, hepatomegalia, desidratação) e está na fase crítica (desaparecimento da febre). Isso indica necessidade de internação, hidratação venosa e monitorização rigorosa.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. Em crianças, a doença pode evoluir rapidamente para formas graves, tornando essencial o reconhecimento precoce dos sinais de alarme. A doença é dividida em três fases: febril, crítica e de recuperação. A fase crítica, que geralmente coincide com a defervescência (desaparecimento da febre), é o período de maior risco para o desenvolvimento de complicações graves, como o choque por extravasamento plasmático. Os sinais de alarme da dengue indicam um aumento do risco de progressão para dengue grave e incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hepatomegalia (>2 cm do RCD) e aumento progressivo do hematócrito. No caso descrito, a criança apresenta dor abdominal importante, vômitos incoercíveis e hepatomegalia dolorosa, além de desidratação e estar na fase afebril, configurando claramente um quadro de dengue com sinais de alarme. O manejo de pacientes com dengue e sinais de alarme exige internação hospitalar para monitorização intensiva e hidratação venosa. A hidratação oral é insuficiente e perigosa nesta fase. A administração de cristaloides intravenosos é fundamental para repor o volume intravascular e prevenir o choque. A monitorização dos sinais vitais, balanço hídrico, hematócrito e plaquetas é crucial para guiar a terapia e identificar precocemente a progressão para choque. A intervenção rápida e adequada pode prevenir desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia e aumento progressivo do hematócrito.

Por que a fase afebril é considerada a fase crítica da dengue?

A fase afebril, ou fase crítica, é quando a febre cede, mas o risco de extravasamento plasmático e choque é maior, manifestando-se pelos sinais de alarme.

Qual a conduta inicial para um paciente pediátrico com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial é a internação hospitalar, início imediato de hidratação venosa com cristaloides, monitorização rigorosa dos sinais vitais e exames laboratoriais seriados.

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