FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menino, 8 anos de idade, apresenta picos febris há 6 dias. Há 3 dias foi medicado com amoxicilina-clavulanato para tratamento de sinusite aguda. Queixa-se de cefaleia, dor em joelhos e abdome, náuseas e vômitos. Tem petéquias em região malar bilateralmente. Ao exame está prostrado, em regular estado geral, FR = 24 mrm, FC = 110 bpm e tempo de enchimento capilar de 3 segundos. O abdome é sensível à palpação e o fígado palpável a 2 cm do RCD. No hemograma, Hb = 11g/dL, Ht = 39%, GB = 4100/mm3 sendo 20% neutrófilos, 15% eosinófilos, 77% linfócitos e 3% monócitos e contagem de plaquetas 150000 /mm3 . Prova do laço positiva. O diagnóstico e conduta indicados ao quadro são, respectivamente,
Febre + petéquias + dor abdominal + TPC > 2s + leucopenia/plaquetas ↓ → Dengue com sinais de alarme (Grupo C), requer internação e hidratação IV.
O quadro clínico com febre, petéquias, dor abdominal, tempo de enchimento capilar prolongado e alterações laboratoriais (leucopenia, plaquetas no limite inferior) são sinais de alarme para dengue, indicando a necessidade de internação e hidratação intravenosa para prevenir a progressão para formas graves.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode variar de formas assintomáticas a quadros graves com choque. A identificação precoce dos sinais de alarme é fundamental para um manejo adequado e para a redução da morbimortalidade. O caso apresentado ilustra um cenário típico de dengue com sinais de alarme, classificado como Grupo C segundo as diretrizes brasileiras. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, petéquias, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), e alterações laboratoriais como leucopenia e plaquetas no limite inferior da normalidade, indicam extravasamento plasmático e risco de choque. A prova do laço positiva reforça a suspeita de fragilidade capilar. A presença desses sinais exige internação hospitalar para monitorização rigorosa e início imediato da hidratação intravenosa, que é a pedra angular do tratamento para prevenir a progressão para choque por dengue. O manejo da dengue com sinais de alarme foca na reposição volêmica cuidadosa com cristaloides isotônicos, monitorização de sinais vitais, débito urinário, hematócrito e plaquetas. A falha em reconhecer e tratar prontamente os sinais de alarme pode levar ao choque por dengue, uma condição grave com alta mortalidade. Portanto, a educação contínua de residentes e profissionais de saúde sobre a classificação e o manejo da dengue é crucial para a saúde da população.
Os principais sinais de alarme da dengue em crianças incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2cm, hipotensão postural, e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
A hidratação intravenosa é indicada para pacientes com dengue que apresentam sinais de alarme, incapacidade de tolerar líquidos por via oral, desidratação grave, ou evidência de choque, visando restaurar o volume intravascular e prevenir a progressão para choque por dengue.
A diferenciação da dengue de outras infecções febris em crianças baseia-se na epidemiologia (área endêmica), quadro clínico (febre alta, mialgia, artralgia, exantema, sinais de alarme) e exames laboratoriais (leucopenia, plaquetopenia, aumento do hematócrito). Testes sorológicos e moleculares específicos confirmam o diagnóstico.
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