Dengue com Sinais de Alarme: Conduta Terapêutica Imediata

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 50 anos, moradora de Fortaleza, sem comorbidades, procura pronto-socorro referindo quadro iniciado há 5 dias de febre alta, cefaleia, mialgia e dor retrorbitária. Embora a febre tenha desaparecido após o terceiro dia de doença, desde esta manhã relata exantema difuso e pruriginoso e dor abdominal mal definida, que não cede com analgésicos comuns. Ao exame: Estado geral regular; Peso: 75 Kg. Pele: exantema máculo-papular difuso com “ilhas" de pele normal; Pressão arterial: deitada = 130 x 80 mmHg, sentada = 118 x 76 mmHg; Prova do laço: positiva; Abdome: semigloboso, flácido, moderadamente doloroso à palpação profunda em epigastro, mesogastro e hipocôndrio direito. Ruídos hidroaéreos presentes. Extremidades: boa perfusão periférica, sem edemas. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, que conduta terapêutica imediata deve ser tomada?

Alternativas

  1. A) Soro fisiológico a 0,9% 750 ml, endovenoso, em 1 hora.
  2. B) Soro fisiológico a 0,9% 1500 ml, endovenoso, em 20 minutos.
  3. C) Soro de reidratação oral 1500 ml + Líquidos diversos 3000 ml, por via oral, em 24 horas.
  4. D) Soro glicosado a 5% 3000 ml + Soro fisiológico a 0,9% 1500 ml, endovenoso, em 24 horas.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alarme (dor abdominal, prova do laço +) → Hidratação venosa inicial com cristaloides 10 mL/kg/h por 1-2h.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de alarme para dengue (dor abdominal intensa, prova do laço positiva, exantema, hipotensão postural), indicando a necessidade de hidratação endovenosa imediata com cristaloides na dose de 10 mL/kg/h, conforme as diretrizes para manejo da dengue.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais como Fortaleza. A doença pode apresentar-se de forma assintomática, com dengue sem sinais de alarme, ou evoluir para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave. A fase crítica da doença, geralmente após a defervescência, é quando ocorrem os sinais de alarme e as complicações. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que pode levar ao choque por dengue, e sangramentos. Os sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e prova do laço positiva, indicam um risco aumentado de progressão para a forma grave e exigem monitoramento rigoroso e intervenção imediata. A identificação precoce desses sinais é fundamental para evitar a deterioração clínica. O manejo da dengue com sinais de alarme foca na reposição volêmica agressiva com cristaloides endovenosos para compensar o extravasamento plasmático. A dose inicial recomendada é de 10 mL/kg/hora por 1-2 horas, seguida de reavaliação e ajuste conforme a resposta clínica e laboratorial. A hidratação oral é insuficiente nesses casos. O monitoramento contínuo de sinais vitais, débito urinário, hematócrito e plaquetas é essencial para guiar a fluidoterapia e identificar a necessidade de intensificação do tratamento ou transferência para UTI.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.

Como é feita a hidratação inicial para dengue com sinais de alarme?

A hidratação inicial para pacientes com dengue e sinais de alarme é feita com solução cristaloide isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato) na dose de 10 mL/kg/hora, por 1 a 2 horas, com reavaliação clínica e laboratorial.

Qual a importância da prova do laço na avaliação da dengue?

A prova do laço é um teste simples para avaliar a fragilidade capilar e a tendência a sangramentos. Uma prova do laço positiva, especialmente em um contexto epidemiológico favorável, reforça a suspeita de dengue e pode ser um sinal de alarme, indicando maior risco de extravasamento plasmático.

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