Manejo da Dengue: Hidratação Venosa e Sinais de Alarme

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Paciente, com 32 anos de idade, hígida anteriormente, deu entrada em serviço de urgência municipal com quadro clínico de febre alta, mialgia, artralgia, cefaleia, prostração, dor retroorbitária e exantema. Apresentava-se lúcida e orientada. Ao exame físico, constatou se desidratação, temperatura = 39,5°C, Frequência cardíaca = 102 bpm, Frequência respiratória = 20 irpm e Pressão arterial = 90 x 60 mmHg. Ausculta cardiopulmonar normal. A avaliação laboratorial mostrou: Hematócrito = 35 %; leucócitos totais = 1.900 /mm³; plaquetas = 102.000 /mm³. Diante do quadro, neste momento, qual a prioridade no manuseio da paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar sorologia para dengue
  2. B) Prescrever paracetamol para controle da temperatura e analgesia.
  3. C) Instalar hidratação venosa.
  4. D) Orientar hidratação vigorosa, em domicílio.
  5. E) Encaminhar para unidade hospitalar do nível secundário.

Pérola Clínica

Hipotensão (PA 90/60) em suspeita de dengue = Sinal de choque/gravidade → Hidratação venosa imediata.

Resumo-Chave

A presença de hipotensão arterial em um paciente com quadro febril agudo e exantema sugere dengue grave (Grupo D); a prioridade absoluta é a expansão volêmica imediata para restaurar a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O manejo da dengue é baseado na classificação de risco (Grupos A, B, C e D). A rápida identificação do extravasamento plasmático é crucial para evitar o choque irreversível e a falência de múltiplos órgãos. A hidratação deve ser iniciada precocemente, muitas vezes antes mesmo de exames laboratoriais, baseando-se em parâmetros clínicos como pressão arterial, tempo de enchimento capilar e débito urinário. No caso apresentado, a paciente já apresenta sinais de choque (hipotensão), o que exige expansão rápida com soro fisiológico (20 ml/kg em até 20 minutos, repetindo se necessário). O uso de antitérmicos como paracetamol ou dipirona é apenas sintomático e secundário à estabilização hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito.

Como classificar a paciente do caso clínico?

A paciente apresenta febre e exantema (suspeita de dengue) associados a hipotensão (PA 90x60 mmHg), o que a classifica no Grupo D (Dengue Grave). Pacientes neste grupo requerem hidratação venosa imediata com cristaloides e monitorização em leito de terapia intensiva ou observação rigorosa.

Por que o hematócrito é importante na dengue?

O aumento do hematócrito reflete a hemoconcentração causada pelo extravasamento plasmático para o espaço extravascular, que é o mecanismo fisiopatológico central da gravidade na dengue. No entanto, o tratamento da instabilidade hemodinâmica não deve esperar o resultado laboratorial.

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