SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Um adolescente de 14 anos de idade dá entrada no pronto-socorro com história de vômitos persistentes e de dor abdominal de forte intensidade há 1 dia. A mãe relata que o paciente retornou de uma viagem que fez com alguns amigos para o interior de São Paulo, região de São José do Rio Preto, há 10 dias e, após 3 dias do retorno, iniciou um quadro de febre de até 39 o C, junto de cefaleia e de artralgia. Há 3 dias, houve melhora da febre e surgimento de exantema máculo-papular, com resolução espontânea em 48 horas. O paciente nega outros sintomas e relata que os outros três amigos estão bem. Ao exame, apresenta regular estado geral, corado, desidratado, taquipneico, taquicárdico, afebril, consciente e orientado; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações; abdome globoso, com fígado a 4 cm do rebordo costal direito, doloroso à palpação; boa perfusão periférica e pulsos cheios. Considerando esse caso hipotético, assinale a melhor conduta entre as alternativas apresentadas.
Dengue com dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia → Sinais de alarme! Iniciar hidratação venosa e solicitar exames para avaliar gravidade e notificar.
O paciente apresenta sinais de alarme para dengue grave (dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, hepatomegalia, desidratação, taquipneia, taquicardia) após um quadro febril bifásico. A conduta inicial deve focar na reposição volêmica imediata, coleta de exames para avaliar a gravidade (hemograma completo, albumina, transaminases) e notificação compulsória do caso, dada a epidemiologia e o risco de progressão para choque.
A dengue é uma doença febril aguda de etiologia viral, transmitida pelo mosquito *Aedes aegypti*, com alta incidência no Brasil, especialmente em regiões endêmicas. A doença pode apresentar-se de forma assintomática, com dengue clássica ou evoluir para formas graves, como a dengue com sinais de alarme ou dengue grave, que podem levar a choque e óbito, sendo um desafio de saúde pública. O caso descrito apresenta um quadro clínico sugestivo de dengue, com fase febril seguida por melhora da febre e surgimento de exantema (fase crítica), e agora com sinais de alarme: dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, hepatomegalia, desidratação, taquipneia e taquicardia. Esses sinais indicam extravasamento plasmático e risco iminente de choque, exigindo intervenção imediata para evitar a progressão da doença. A conduta mais adequada inclui a reposição volêmica intravenosa imediata com cristaloides para combater a desidratação e o extravasamento plasmático, coleta de exames laboratoriais (hemograma completo para avaliar hematócrito e plaquetas, albumina sérica para avaliar extravasamento, transaminases para função hepática) e a notificação compulsória do caso às autoridades de saúde. A monitorização rigorosa dos sinais vitais, do balanço hídrico e da diurese é fundamental para prevenir a progressão para choque e garantir um desfecho favorável.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito.
A conduta inicial envolve reposição volêmica intravenosa imediata com cristaloides, coleta de exames laboratoriais (hemograma completo, albumina, transaminases) para avaliar a gravidade e monitorização rigorosa dos sinais vitais e balanço hídrico, além da notificação compulsória do caso.
A notificação compulsória é crucial para o monitoramento epidemiológico da doença, permitindo que as autoridades de saúde implementem medidas de controle vetorial, identifiquem surtos e planejem a alocação de recursos para o manejo da doença na população.
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