ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma criança de 2 anos, com febre alta (39º C) há 3 dias e irritabilidade, se recusa a se alimentar, tem dor abdominal intensa e a mãe relata 3 episódios de vômitos nas últimas 12 horas. A mãe procurou a emergência, onde foram realizados exames, e foi dado o diagnóstico de dengue. O tratamento deve ser:
Dor abdominal intensa + vômitos = Dengue com Sinais de Alarme → Internação + Hidratação Venosa imediata.
Crianças com dengue que apresentam sinais de alarme (dor abdominal, vômitos, irritabilidade) são classificadas no Grupo C e requerem hospitalização para reposição volêmica venosa.
A dengue em pediatria apresenta particularidades, pois a criança muitas vezes não consegue verbalizar sintomas específicos, manifestando gravidade através de irritabilidade ou prostração. A classificação do Ministério da Saúde divide os pacientes em grupos (A, B, C e D) para orientar o fluxo de atendimento. O Grupo C engloba pacientes com qualquer sinal de alarme, mas sem sinais de choque. O objetivo principal da internação e hidratação venosa é prevenir a progressão para o Grupo D (choque). O monitoramento do hematócrito é essencial, pois sua elevação indica hemoconcentração por perda de plasma para o terceiro espaço, sendo um guia para o ajuste da velocidade de infusão de líquidos.
Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. Na criança, a irritabilidade e a recusa alimentar são sinais precoces muito importantes.
Pacientes do Grupo C (com sinais de alarme) devem ser obrigatoriamente internados. A conduta imediata é a reposição volêmica venosa com solução isotônica (Soro Fisiológico ou Ringer Lactato), inicialmente com 10 ml/kg na primeira hora, seguida de reavaliações frequentes e exames laboratoriais (hematócrito, plaquetas) para monitorar a resposta ao tratamento.
A dor abdominal intensa na dengue geralmente reflete o extravasamento plasmático para o espaço retroperitoneal ou para a parede das alças intestinais, além de poder indicar hepatomegalia súbita. É um marcador clínico de que a permeabilidade vascular está aumentada, precedendo o choque hipovolêmico.
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