Dengue com Sinais de Alarme: Manejo e Internação

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 66 anos de idade, residente em município onde está ocorrendo epidemia de dengue. é atendida em uma Unidade Básica de Saúde com quadro de febre, mal-estar e cefaleia de início há três dias. Em uso de rivaroxabana há dois meses, devido a trombose venosa profunda em membro inferior. Ao exame físico, apresentava-se desidratada, com PA = 120×80mmHg, FC = 100bpm. Sem alterações à ausculta cardíaca e pulmonar. No hemograma, foi observado hematócrito = 54,3% (Valor de Referência (VR) para mulheres = 35% a 45%) e plaquetas = 43.000células/mm³ (VR = 150.000 a 400.000células/mm³). Sobre o atendimento desta paciente dentro da Rede de Atenção à Saúde, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Deverá ser solicitada internação hospitalar em leito de enfermaria.
  2. B) Deverá ser solicitada internação hospitalar em leito de Unidade de Terapia Intensiva.
  3. C) Ela deverá ser acompanhada na UBS com agendamento de retorno diário, até 24 horas após o desaparecimento da febre, para avaliação clínica, realização de hemograma e dosagem de RNI para acompanhamento do estado da coagulação.
  4. D) Ela deverá ser acompanhada na UBS com agendamento de retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre e, caso não haja defervescência, retornar no quinto dia da doença.

Pérola Clínica

Dengue + Ht ↑ + Plaquetas ↓ + Anticoagulante = Internação para monitorização e manejo de risco de sangramento.

Resumo-Chave

A paciente apresenta dengue com sinais de alarme (hemoconcentração e plaquetopenia grave) e um fator de risco importante (uso de rivaroxabana), o que aumenta significativamente o risco de sangramento. A internação é crucial para monitorização rigorosa, hidratação venosa e manejo da anticoagulação, visando prevenir complicações graves.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, com apresentações clínicas que variam de formas assintomáticas a quadros graves e fatais. A identificação precoce dos sinais de alarme e a correta classificação de risco são fundamentais para um manejo adequado, especialmente em cenários de epidemia e em pacientes com comorbidades que podem agravar o prognóstico. A doença é causada por um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e é endêmica em diversas regiões do Brasil. O diagnóstico da dengue é primariamente clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que leva à hemoconcentração, e a disfunção plaquetária e endotelial, que predispõem a sangramentos. Pacientes idosos e aqueles com comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes e uso de anticoagulantes têm maior risco de desenvolver formas graves. A monitorização do hematócrito e das plaquetas é essencial para acompanhar a evolução da doença e guiar a conduta. O tratamento da dengue é sintomático e de suporte. A hidratação é a pedra angular do manejo, podendo ser oral ou venosa, dependendo da gravidade. Pacientes com sinais de alarme, como a hemoconcentração e plaquetopenia grave do caso, ou com comorbidades que aumentam o risco de complicações, devem ser internados para monitorização intensiva e manejo específico, como a avaliação da necessidade de suspender ou ajustar anticoagulantes. A decisão de internação visa prevenir o choque por dengue e outras complicações hemorrágicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na dengue que indicam necessidade de internação?

Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.

Como o uso de anticoagulantes impacta o manejo da dengue?

O uso de anticoagulantes, como a rivaroxabana, aumenta significativamente o risco de sangramentos graves em pacientes com dengue, especialmente na presença de plaquetopenia. Nesses casos, a internação é mandatória para monitorização rigorosa e avaliação da necessidade de suspensão ou reversão da anticoagulação, balanceando o risco de sangramento com o risco trombótico.

Qual a importância do hematócrito e das plaquetas na avaliação da gravidade da dengue?

O hematócrito elevado (hemoconcentração) indica extravasamento plasmático e é um sinal de alarme para dengue grave. A plaquetopenia, especialmente abaixo de 50.000 células/mm³, aumenta o risco de sangramentos. Ambos os parâmetros são cruciais para a classificação de risco e decisão de internação.

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