PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 66 anos de idade, residente em município onde está ocorrendo epidemia de dengue. é atendida em uma Unidade Básica de Saúde com quadro de febre, mal-estar e cefaleia de início há três dias. Em uso de rivaroxabana há dois meses, devido a trombose venosa profunda em membro inferior. Ao exame físico, apresentava-se desidratada, com PA = 120×80mmHg, FC = 100bpm. Sem alterações à ausculta cardíaca e pulmonar. No hemograma, foi observado hematócrito = 54,3% (Valor de Referência (VR) para mulheres = 35% a 45%) e plaquetas = 43.000células/mm³ (VR = 150.000 a 400.000células/mm³). Sobre o atendimento desta paciente dentro da Rede de Atenção à Saúde, é CORRETO afirmar:
Dengue + Ht ↑ + Plaquetas ↓ + Anticoagulante = Internação para monitorização e manejo de risco de sangramento.
A paciente apresenta dengue com sinais de alarme (hemoconcentração e plaquetopenia grave) e um fator de risco importante (uso de rivaroxabana), o que aumenta significativamente o risco de sangramento. A internação é crucial para monitorização rigorosa, hidratação venosa e manejo da anticoagulação, visando prevenir complicações graves.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, com apresentações clínicas que variam de formas assintomáticas a quadros graves e fatais. A identificação precoce dos sinais de alarme e a correta classificação de risco são fundamentais para um manejo adequado, especialmente em cenários de epidemia e em pacientes com comorbidades que podem agravar o prognóstico. A doença é causada por um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e é endêmica em diversas regiões do Brasil. O diagnóstico da dengue é primariamente clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial. A fisiopatologia da dengue grave envolve o extravasamento plasmático, que leva à hemoconcentração, e a disfunção plaquetária e endotelial, que predispõem a sangramentos. Pacientes idosos e aqueles com comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes e uso de anticoagulantes têm maior risco de desenvolver formas graves. A monitorização do hematócrito e das plaquetas é essencial para acompanhar a evolução da doença e guiar a conduta. O tratamento da dengue é sintomático e de suporte. A hidratação é a pedra angular do manejo, podendo ser oral ou venosa, dependendo da gravidade. Pacientes com sinais de alarme, como a hemoconcentração e plaquetopenia grave do caso, ou com comorbidades que aumentam o risco de complicações, devem ser internados para monitorização intensiva e manejo específico, como a avaliação da necessidade de suspender ou ajustar anticoagulantes. A decisão de internação visa prevenir o choque por dengue e outras complicações hemorrágicas.
Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
O uso de anticoagulantes, como a rivaroxabana, aumenta significativamente o risco de sangramentos graves em pacientes com dengue, especialmente na presença de plaquetopenia. Nesses casos, a internação é mandatória para monitorização rigorosa e avaliação da necessidade de suspensão ou reversão da anticoagulação, balanceando o risco de sangramento com o risco trombótico.
O hematócrito elevado (hemoconcentração) indica extravasamento plasmático e é um sinal de alarme para dengue grave. A plaquetopenia, especialmente abaixo de 50.000 células/mm³, aumenta o risco de sangramentos. Ambos os parâmetros são cruciais para a classificação de risco e decisão de internação.
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