TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Em casos de dengue, quais os sinais clínicos que podem ser indicativos de dengue com sinais de alarme?
Dor abdominal intensa + vômitos persistentes = Sinais de alarme na Dengue.
Os sinais de alarme na dengue indicam o início do extravasamento plasmático e precedem o choque, exigindo hidratação venosa imediata e monitoramento rigoroso.
A dengue é uma arbovirose dinâmica que pode evoluir rapidamente de uma síndrome febril para quadros de choque hipovolêmico por extravasamento plasmático. A identificação precoce dos sinais de alarme é o pilar fundamental para reduzir a letalidade da doença, permitindo a intervenção volêmica antes da falência circulatória. A dor abdominal intensa e os vômitos persistentes são marcadores clínicos sensíveis de gravidade iminente. Historicamente, a classificação focava em 'Dengue Hemorrágica', mas a classificação atual da OMS prioriza a detecção do extravasamento de plasma. O conhecimento dos critérios do Grupo C (sinais de alarme) e Grupo D (choque/gravidade) é essencial para qualquer médico em áreas endêmicas, garantindo que a reposição de fluidos seja agressiva o suficiente para manter a perfusão tecidual e prevenir complicações multiorgânicas.
Os sinais de alarme, conforme o Ministério da Saúde, incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural ou lipotimia, hepatomegalia maior que 2 cm, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. Estes sinais geralmente surgem na fase de defervescência da febre e marcam o início do extravasamento plasmático crítico, que pode levar ao choque se não tratado prontamente.
A dengue sem sinais de alarme apresenta febre, cefaleia, mialgia e exantema. A transição para 'com sinais de alarme' é marcada por sintomas que sugerem perda de fluido para o terceiro espaço ou disfunção orgânica incipiente. A dor abdominal referida é frequentemente descrita como súbita e intensa, e os vômitos persistentes impedem a hidratação oral adequada, exigindo mudança imediata na conduta terapêutica para o Grupo C (hidratação venosa).
O paciente deve ser reclassificado para o Grupo C e iniciar hidratação venosa imediata com cristaloides (10 ml/kg na primeira hora). O manejo deve ser realizado em leito de observação ou internação por no mínimo 48 horas, com monitoramento frequente de sinais vitais, débito urinário e hematócrito, visando a estabilização hemodinâmica antes da progressão para formas graves de choque ou falência de órgãos.
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