Dengue: Identificação e Manejo dos Sinais de Alarme

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, 30 anos de idade, procedente do Rio de Janeiro, foi admitido na Emergência hospitalar referindo febre, dor de cabeça, diarreia e dor articular, iniciados há 6 dias. Informa que a febre cessou há dois dias e, há um dia, passou a apresentar dor abdominal contínua de forte intensidade, sem melhora com o uso de paracetamol. O paciente nega doenças prévias. Ao exame físico, apresenta estado geral regular, eupneico, hidratado, corado, consciente e orientado; ausculta respiratória e cardíaca normais; pressão arterial = 120 x 80 mmHg; prova do laço negativa; abdome depressível, doloroso à palpação em hipocôndrio direito, sem visceromegalias. Nesse caso, a melhor conduta a ser tomada é:

Alternativas

  1. A) Dar alta após solicitação de hemograma e sorologia viral e orientar o paciente a retornar após seis horas para avaliar o resultado do hemograma.
  2. B) Colocar o paciente em observação por 12 horas na unidade de emergência e administrar medicamentos sintomáticos e hidratação oral.
  3. C) Transferir o paciente para unidade de cuidados semi-intensivos para monitorização contínua e realização de exames.
  4. D) Dar alta com orientações para acompanhamento ambulatorial na unidade de atenção primária.
  5. E) Internar o paciente por 48 horas para observação e realização de exames complementares.

Pérola Clínica

Febre cessou + dor abdominal intensa → Dengue Grupo C → Internação obrigatória para hidratação venosa.

Resumo-Chave

O surgimento de dor abdominal intensa após a queda da febre (fase de defervescência) caracteriza a Dengue com Sinais de Alarme (Grupo C), exigindo internação imediata para monitorização.

Contexto Educacional

A Dengue é uma doença febril aguda cuja gravidade está relacionada à permeabilidade vascular aumentada. O caso clínico descreve um paciente que entra na fase crítica da doença: a defervescência. É neste período que o risco de choque é máximo. A dor abdominal referida é um sinal clássico de alarme. De acordo com o Ministério da Saúde, a presença de apenas um sinal de alarme já classifica o paciente como Grupo C. A conduta correta não é apenas observar ou hidratar oralmente, mas sim garantir a internação para vigilância hemodinâmica e hidratação parenteral. A prova do laço negativa não exclui gravidade quando sinais clínicos de alarme já estão presentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na Dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade e aumento repentino do hematócrito. Eles geralmente surgem entre o 3º e 7º dia de doença, coincidindo com a queda da febre.

Por que a dor abdominal é tão relevante na Dengue?

A dor abdominal intensa na Dengue é um marcador fidedigno de extravasamento plasmático para o espaço retroperitoneal ou para a parede das alças intestinais, ou ainda decorrente de hepatomegalia congestiva. É um sinal precursor do choque hipovolêmico, por isso classifica o paciente no Grupo C, exigindo intervenção rápida com fluidoterapia venosa.

Qual a conduta para o Grupo C de Dengue?

Pacientes do Grupo C (com sinais de alarme) devem ser internados por no mínimo 48 horas. A conduta imediata envolve hidratação venosa com cristaloides (10 ml/kg na primeira hora), reavaliação clínica constante e monitorização do hematócrito. O objetivo é evitar a progressão para o choque (Grupo D).

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