CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Jaime, 57 anos, morador de cidade com epidemia de dengue, procura a UBS com quadro de febre de até 39 °C há 3 dias associado à dor retro orbital de forte intensidade e mialgia. Sem quaisquer outras queixas. Apresenta diabetes mellitus em uso de metformina 850mg/dia – última hemoglobina glicada: 7,2%. Nega outras doenças. No exame físico, bom estado geral, hidratado, corado, eupneico. Temperatura axilar: 38,2 °C, frequência cardíaca: 104 bpm, pressão arterial: 128/80 mmHg, frequência respiratória: 18 mrpm. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Abdômen com dor discreta à palpação difusamente, sem dor à descompressão súbita. Ausência de visceromegalias. Conjuntiva normal. Ausência de lesões de pele. Prova do laço negativa. Depois da avaliação, Jaime é notificado como caso suspeito de dengue. Seguindo o fluxograma mais recente de classificação de risco para dengue do Ministério da Saúde, a conduta mais adequada é iniciar:
Dengue Grupo B (comorbidades): hidratação oral, sintomáticos, hemograma com plaquetas e reavaliação clínica antes da alta.
O paciente, com diabetes mellitus, é classificado no Grupo B de dengue. A conduta inclui hidratação oral, sintomáticos e, crucialmente, solicitação de hemograma com plaquetas para monitoramento, com liberação apenas após exame normal e reavaliação clínica, devido ao risco aumentado de complicações.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, com manifestações clínicas que variam de quadros leves a formas graves e potencialmente fatais. A classificação de risco, conforme os protocolos do Ministério da Saúde, é uma ferramenta essencial para guiar o manejo e a tomada de decisão clínica, visando identificar precocemente os pacientes com maior risco de complicações. Pacientes com comorbidades, como o diabetes mellitus, são classificados no Grupo B, mesmo na ausência de sinais de alarme. Essa classificação implica em um manejo mais cauteloso, que inclui hidratação oral rigorosa, tratamento sintomático e, fundamentalmente, a realização de exames laboratoriais (hemograma com plaquetas) para monitorar a evolução da doença. A reavaliação clínica e laboratorial é indispensável antes da liberação do paciente, com orientações claras sobre os sinais de alerta. Residentes de clínica médica, medicina da família e emergência devem dominar o fluxograma de manejo da dengue, reconhecendo a importância das comorbidades na estratificação de risco. A atenção aos sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, é crucial para a identificação de pacientes que necessitam de internação e hidratação venosa, evitando a progressão para as formas graves da doença e reduzindo a morbimortalidade.
O Grupo B inclui pacientes com dengue que apresentam condições de risco (gestantes, idosos, crianças < 2 anos), comorbidades (diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, doenças renais crônicas, asma, etc.), ou condições sociais especiais (isolamento, risco de violência), mesmo na ausência de sinais de alarme.
O hemograma com plaquetas é fundamental para monitorar a evolução da doença. A hemoconcentração (aumento do hematócrito) e a plaquetopenia são marcadores de gravidade e podem indicar progressão para dengue com sinais de alarme ou grave, exigindo intervenção mais intensiva.
Um paciente do Grupo B pode ser liberado após reavaliação clínica, com hemograma e plaquetas normais ou estáveis, e com orientações claras sobre os sinais de alerta e a necessidade de retorno imediato. A reavaliação deve ser feita o mais breve possível, idealmente antes da alta.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo