FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Um paciente de 5 anos, dá entrada no Hospital com história de febre alta de até 39 graus nos últimos 3 dias, associado a mialgia, dor retro orbitária e cefaleia. Evolui nas últimas 24 horas com exantema difuso e dor abdominal continua desde ontem e vômitos cerca de 6 episódios, sem conseguir ingerir líquidos. Ao exame físico: REG, corada, desidratada 2+/4+, acianótica e afebril. Ausculta cardíaca: Bulhas rítmicas, normofonéticas sem sopros FC: 95 bpm PA: 100 ×60 mmHG. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente bilateralmente sem sinais de desconforto respiratório, FR: 22 ipm Sat O₂: 96% em ar ambiente. Abdome: dor a palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Extremidades: boa perfusão periférica, pulsos amplos. Qual a melhor hipótese diagnóstica e conduta:
Dengue com dor abdominal intensa + vômitos persistentes + desidratação → Grupo C = Hidratação EV imediata.
O paciente apresenta sinais de alarme para dengue grave (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, desidratação), classificando-o no Grupo C. A conduta imediata é hidratação endovenosa com alíquotas de 20 mL/kg em 2 horas, monitoramento rigoroso e exames confirmatórios.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a apresentação clínica pode ser atípica e a progressão para formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave, pode ser rápida. A classificação de risco e o manejo adequado são cruciais para reduzir a morbimortalidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil categorizam os pacientes em grupos (A, B, C e D) com base na presença de sinais de alarme e choque. O paciente do caso apresenta febre, mialgia, dor retro-orbitária e cefaleia, sintomas clássicos de dengue. No entanto, a evolução com dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes (6 episódios) e desidratação (2+/4+) configura a presença de sinais de alarme, classificando-o no Grupo C. Esses sinais indicam extravasamento plasmático e risco iminente de choque, exigindo intervenção hospitalar imediata. A fisiopatologia da dengue grave envolve o aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento de plasma, hemoconcentração e, em casos mais graves, choque hipovolêmico. A conduta para pacientes do Grupo C é a hidratação endovenosa agressiva com cristaloides. A fase de expansão consiste na administração de 20 mL/kg de soro fisiológico 0,9% em 2 horas, com reavaliação clínica e laboratorial (hematócrito) após cada alíquota. O objetivo é reverter a desidratação e o extravasamento plasmático. Após a estabilização, o paciente deve ser mantido em hidratação venosa de manutenção e monitoramento contínuo dos sinais vitais, diurese e hematócrito. Exames gerais e confirmatórios para dengue são essenciais para o diagnóstico e acompanhamento.
Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, hipotensão postural e aumento progressivo do hematócrito.
A conduta inicial é a hidratação endovenosa imediata com solução cristaloide (ex: soro fisiológico 0,9%) em alíquotas de 20 mL/kg em 2 horas, seguida de reavaliação e, se necessário, novas alíquotas ou hidratação de manutenção.
O hematócrito é um indicador crucial da hemoconcentração, que reflete a perda de plasma para o terceiro espaço. Seu aumento progressivo, mesmo após hidratação, indica piora e risco de choque, exigindo monitoramento rigoroso e ajuste da terapia volêmica.
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