Manejo da Dengue: Classificação e Conduta Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 28 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com quadro de febre súbita de 39,5 °C há três dias, acompanhada de cefaleia intensa, dor retro-orbitária e mialgia generalizada importante. Relata que hoje notou o surgimento de manchas avermelhadas pelo corpo (exantema maculopapular) que coçam levemente. Nega dor abdominal persistente, vômitos, sangramentos ou síncope. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hidratado, anictérico e febril (38,2 °C). Os sinais vitais mostram pressão arterial de 120 x 80 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm e frequência respiratória de 18 irpm. O tempo de enchimento capilar é de 2 segundos. A prova do laço foi realizada e resultou negativa. Não foram observadas visceromegalias à palpação abdominal. Com base no quadro clínico e na classificação de risco, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial correta?

Alternativas

  1. A) Chikungunya em fase aguda; início imediato de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controle da mialgia.
  2. B) Leptospirose ictero-hemorrágica; solicitação de sorologia e início de antibioticoterapia com doxiciclina.
  3. C) Dengue com sinais de alarme; internação hospitalar para hidratação venosa imediata e monitorização em leito de observação.
  4. D) Dengue sem sinais de alarme; hidratação oral vigorosa e uso de analgésicos como paracetamol ou dipirona.

Pérola Clínica

Dengue sem sinais de alarme (Grupo A) → Hidratação oral vigorosa + Analgésicos (evitar AINEs).

Resumo-Chave

O manejo da dengue foca na classificação de risco. Pacientes sem sinais de alarme e sem comorbidades (Grupo A) devem ser tratados ambulatorialmente com hidratação oral.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose dinâmica onde a fase crítica geralmente ocorre após a defervescência da febre (entre o 3º e 7º dia). O reconhecimento precoce da classificação de risco (Grupos A, B, C e D) é a estratégia mais eficaz para reduzir a letalidade. No Grupo A, o foco é o suporte sintomático e a hidratação oral para prevenir a hemoconcentração. É imperativo evitar o uso de salicilatos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) devido ao risco de complicações hemorrágicas e síndrome de Reye em crianças. A educação do paciente sobre os sinais de alarme é a intervenção mais crítica para garantir que casos que evoluam para formas graves recebam atendimento hospitalar oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme na dengue que indicam gravidade?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade e aumento repentino do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais reclassifica o paciente para o Grupo C, exigindo hidratação venosa imediata.

Como deve ser feita a hidratação no paciente do Grupo A?

A hidratação deve ser predominantemente oral e vigorosa. Para adultos, a recomendação do Ministério da Saúde é de aproximadamente 60 ml/kg/dia, sendo um terço com solução de sais de reidratação oral (SRO) e o restante com líquidos claros (água, sucos, chá). É fundamental orientar o paciente sobre os sinais de alerta que exigem retorno imediato.

Por que a prova do laço é importante mesmo se negativa?

A prova do laço avalia a fragilidade capilar e é um critério de triagem. Se positiva, o paciente é classificado no Grupo B (se não houver sinais de alarme). Se negativa, como no caso clínico, e na ausência de comorbidades ou sinais de alarme, o paciente permanece no Grupo A. No entanto, sua negatividade não exclui o diagnóstico de dengue.

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