PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2017
Algumas pessoas têm uma doença, mas não estão se sentindo mal, como no caso de um diabetes não diagnosticado. Por outro lado, muitas pessoas sentem-se mal, apresentando queixas como tontura, dor precordial, etc, mas não se encontra nenhuma causa para explicar os seus sintomas. Essas condições são muito prevalentes no cotidiano da clínica. Você é um(a) médico(a) novo(a) na unidade e atende um paciente com queixa de desconforto abdominal inespecífico e recorrente. Ele diz ter consultado várias vezes por esse motivo, mas ninguém conseguiu descobrir o que ele tem. Reclama que o médico anterior atendeu muito rápido, pediu apenas um US abdominal, que foi normal, e disse que não se preocupasse, porque não tinha nada. "Como nada?", pergunta o paciente. A conduta que você deve tomar obedece a que princípio ou conceito?
Queixas inespecíficas recorrentes → "demora permitida": acolher, observar, construir vínculo, evitar exames excessivos.
Em casos de queixas inespecíficas e recorrentes, especialmente quando o paciente se sente desvalorizado, o princípio da "demora permitida" é fundamental. Ele envolve uma escuta qualificada, a exclusão de sinais de alarme, a construção de um vínculo de confiança e a observação da evolução dos sintomas ao longo do tempo, evitando a medicalização excessiva e exames desnecessários.
No cotidiano da clínica, especialmente na Atenção Primária, médicos frequentemente se deparam com pacientes que apresentam queixas inespecíficas e recorrentes, muitas vezes sem uma causa orgânica clara. Nesses cenários, a abordagem do médico é crucial para estabelecer um vínculo de confiança e evitar a medicalização excessiva. O conceito de "demora permitida" surge como um princípio orientador fundamental. A "demora permitida" não significa negligência, mas sim uma estratégia consciente de manejo da incerteza. Após uma anamnese detalhada e um exame físico completo que afaste sinais de alarme ou condições graves, o médico opta por um acompanhamento longitudinal, tranquilizando o paciente e reforçando que a ausência de um diagnóstico imediato não significa ausência de cuidado. Este princípio valoriza a construção da relação médico-paciente, a escuta qualificada e a observação da evolução dos sintomas ao longo do tempo. Ele permite que o paciente se sinta acolhido e compreendido, ao invés de dispensado, e evita a realização de exames complementares desnecessários que podem gerar ansiedade, custos e até iatrogenia. É uma ferramenta poderosa para a prática de uma medicina mais humana e eficaz em casos de sintomas somáticos e funcionais.
A "demora permitida" é um princípio que orienta o manejo de queixas inespecíficas ou funcionais, onde, após uma avaliação inicial cuidadosa e exclusão de sinais de alarme, o médico opta por observar a evolução dos sintomas ao longo do tempo, construindo vínculo e evitando exames ou intervenções desnecessárias.
É importante porque ajuda a evitar a medicalização excessiva, a iatrogenia e o desgaste da relação médico-paciente. Permite que o paciente se sinta acolhido, que a confiança seja estabelecida e que a natureza dos sintomas seja melhor compreendida sem a pressão de um diagnóstico imediato.
O médico deve praticar a escuta qualificada, validar os sentimentos do paciente, realizar um exame físico completo, excluir sinais de alarme e explicar a abordagem de observação e acompanhamento, reforçando o compromisso com o cuidado longitudinal.
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