Demência Vascular: Estratégias Terapêuticas e Manejo

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 78 anos de idade, hipertensa diabética, apresenta declínio cognitivo progressivo há dois anos, com perda de memória recente e dificuldades em atividades cotidianas. Relata episódio prévio de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico com hemiparesia transitória. Ao exame físico apresenta PA = 150 mmHg X 90 mmHg. FC-84 bpm, FR-18 irpm e SatO2 = 96%. Realizou exame neurológico que mostrou discreta dificuldade motora em hemicorpo esquerdo.\nNo que se refere ao caso clínico apresentado, qual é a estratégia terapêutica indicada para o paciente?

Alternativas

  1. A) Uso de inibidores de acetilcolinesterase.
  2. B) Controle rigoroso de fatores de risco cardiovascular.
  3. C) Terapia antitrombótica imediata.
  4. D) Uso de antipsicóticos.

Pérola Clínica

Demência Vascular → O pilar do tratamento é o controle rigoroso de HAS, DM e dislipidemia para evitar novos insultos.

Resumo-Chave

Em pacientes com declínio cognitivo e evidência de doença cerebrovascular prévia, o controle de fatores de risco cardiovascular é a intervenção mais eficaz para frear a progressão.

Contexto Educacional

A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência em idosos. O caso clínico apresenta uma paciente com fatores de risco clássicos (HAS, DM), histórico de AVC e déficit focal ao exame, o que direciona o diagnóstico para comprometimento cognitivo vascular. A fisiopatologia envolve desde grandes infartos corticais até doença de pequenos vasos profundos.\n\nO manejo terapêutico foca na estabilização da doença de base. O controle da pressão arterial (alvo geralmente < 130/80 mmHg em pacientes tolerantes), o controle glicêmico e o uso de estatinas são fundamentais. Diferente do Alzheimer, onde o déficit é predominantemente colinérgico, na demência vascular a eficácia dos inibidores da acetilcolinesterase é modesta e muitas vezes reservada para casos onde há suspeita de componente misto.

Perguntas Frequentes

Como se caracteriza o declínio cognitivo na demência vascular?

Diferente da Doença de Alzheimer, que costuma ter um início insidioso e progressão linear, a demência vascular frequentemente apresenta um padrão 'em degraus' (stepwise), onde cada novo evento isquêmico (mesmo que subclínico) causa uma queda súbita na função cognitiva, seguida de estabilização.

Qual o papel do controle da hipertensão na demência vascular?

O controle rigoroso da pressão arterial é a estratégia mais robusta para prevenir a progressão da demência vascular. A hipertensão crônica causa lesão de pequenos vasos (microangiopatia), levando a infartos lacunares e leucoencefalopatia, que são substratos para o comprometimento cognitivo.

Quando usar terapia antitrombótica nesses pacientes?

A terapia antitrombótica (como AAS) é indicada para a prevenção secundária de novos eventos isquêmicos cerebrais em pacientes que já tiveram um AVC ou AIT. Embora não 'cure' a demência instalada, ela reduz o risco de novos insultos que agravariam o quadro cognitivo.

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