FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um homem de 75 anos de idade apresentou dificuldade de concentração e atenção, lentidão cognitiva e episódios de confusão que têm ocorrido de forma episódica nos últimos dois anos. Não houve relato de heteroagressividade. Ele tinha histórico de hipertensão e dislipidemia não controladas. A ressonância nuclear magnética (FLAIR) revelou lacunas subcorticais e hiperintensidades de substância branca periventriculares. A avaliação clínica descartou sinais de doença de Parkinson ou alucinações visuais. Com base nesse caso clínico hipotético, é correto afirmar que o diagnóstico provável e a abordagem inicial adequada de manejo são, respectivamente:
Déficit cognitivo + Fatores de risco CV + Lesões em RM (FLAIR) = Demência Vascular.
A demência vascular frequentemente apresenta-se com lentidão psicomotora e disfunção executiva, correlacionando-se com lesões isquêmicas subcorticais e microangiopatia.
A demência vascular é a segunda causa mais comum de declínio cognitivo em idosos. Sua fisiopatologia envolve lesões isquêmicas ou hemorrágicas decorrentes de doença de grandes vasos, pequenos vasos (microangiopatia) ou mecanismos hipoperfusivos. O quadro clínico é heterogêneo, mas a síndrome subcortical — caracterizada por lentidão do processamento mental, apatia e dificuldades de marcha — é muito prevalente. O diagnóstico baseia-se na demonstração de declínio cognitivo temporalmente relacionado a evidências de doença cerebrovascular em exames de imagem. O manejo clínico é focado na estabilização dos fatores de risco cardiovascular, pois não há tratamentos farmacológicos específicos que revertam o dano vascular já estabelecido, embora inibidores da colinesterase possam ser usados em casos de demência mista.
Os achados clássicos incluem hiperintensidades da substância branca periventricular e profunda (leucoencefalopatia), infartos lacunares subcorticais e, por vezes, sequelas de grandes infartos corticais. Na sequência FLAIR, essas alterações são visualizadas como áreas de hipersinal.
A Doença de Alzheimer tipicamente inicia com déficit de memória episódica e tem curso progressivo insidioso. A demência vascular costuma apresentar disfunção executiva e lentidão cognitiva proeminentes, muitas vezes com curso 'em degraus' ou relacionado a eventos vasculares.
O foco principal é a prevenção secundária. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial, manejo da dislipidemia com estatinas, controle glicêmico e antiagregação plaquetária, visando interromper a progressão das lesões isquêmicas cerebrais.
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