Demência Vascular: Diagnóstico e Manejo Clínico

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 75 anos de idade apresentou dificuldade de concentração e atenção, lentidão cognitiva e episódios de confusão que têm ocorrido de forma episódica nos últimos dois anos. Não houve relato de heteroagressividade. Ele tinha histórico de hipertensão e dislipidemia não controladas. A ressonância nuclear magnética (FLAIR) revelou lacunas subcorticais e hiperintensidades de substância branca periventriculares. A avaliação clínica descartou sinais de doença de Parkinson ou alucinações visuais. Com base nesse caso clínico hipotético, é correto afirmar que o diagnóstico provável e a abordagem inicial adequada de manejo são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Demência de corpos de Lewy; e iniciar donepezila.
  2. B) Demência vascular; e otimizar o controle da pressão arterial e tratar dislipidemia.
  3. C) Doença de Alzheimer; e iniciar terapia com inibidor de fosfodiesterase.
  4. D) Demência frontotemporal; e iniciar quetiapina.
  5. E) Demência senil; e iniciar anticoagulação para prevenir novos eventos vasculares.

Pérola Clínica

Déficit cognitivo + Fatores de risco CV + Lesões em RM (FLAIR) = Demência Vascular.

Resumo-Chave

A demência vascular frequentemente apresenta-se com lentidão psicomotora e disfunção executiva, correlacionando-se com lesões isquêmicas subcorticais e microangiopatia.

Contexto Educacional

A demência vascular é a segunda causa mais comum de declínio cognitivo em idosos. Sua fisiopatologia envolve lesões isquêmicas ou hemorrágicas decorrentes de doença de grandes vasos, pequenos vasos (microangiopatia) ou mecanismos hipoperfusivos. O quadro clínico é heterogêneo, mas a síndrome subcortical — caracterizada por lentidão do processamento mental, apatia e dificuldades de marcha — é muito prevalente. O diagnóstico baseia-se na demonstração de declínio cognitivo temporalmente relacionado a evidências de doença cerebrovascular em exames de imagem. O manejo clínico é focado na estabilização dos fatores de risco cardiovascular, pois não há tratamentos farmacológicos específicos que revertam o dano vascular já estabelecido, embora inibidores da colinesterase possam ser usados em casos de demência mista.

Perguntas Frequentes

Quais os principais achados na RM da demência vascular?

Os achados clássicos incluem hiperintensidades da substância branca periventricular e profunda (leucoencefalopatia), infartos lacunares subcorticais e, por vezes, sequelas de grandes infartos corticais. Na sequência FLAIR, essas alterações são visualizadas como áreas de hipersinal.

Como diferenciar demência vascular de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer tipicamente inicia com déficit de memória episódica e tem curso progressivo insidioso. A demência vascular costuma apresentar disfunção executiva e lentidão cognitiva proeminentes, muitas vezes com curso 'em degraus' ou relacionado a eventos vasculares.

Qual o pilar do tratamento na demência vascular?

O foco principal é a prevenção secundária. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial, manejo da dislipidemia com estatinas, controle glicêmico e antiagregação plaquetária, visando interromper a progressão das lesões isquêmicas cerebrais.

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