Demência Vascular: Diagnóstico Etiológico e Exames de Imagem

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paulo, 62 anos, foi levado ao médico por seu filho, Lucas, de 31 anos, devido a alterações de comportamento e dificuldade de executar tarefas que lhe eram habituais. Ele trabalhava com gestão de finanças e precisou ser realocado em outra função na empresa. Paulo é hipertenso, diabético e tabagista ativo (40 anos-maço). Na consulta, ele apresenta dificuldade para articular palavras e seu filho refere irritabilidade e oscilações de humor. Há seis meses, Paulo procurou atendimento médico por perda súbita de força em hemicorpo direito, que persistiu por poucas horas. Ele recebeu alta médica em menos de 12 horas após realizar tomografia de crânio sem alterações. Qual dos exames abaixo seria capaz de trazer o diagnóstico etiológico responsável pelo quadro clínico de Paulo?

Alternativas

  1. A) Mini Exame do Estado Mental (MEEM).
  2. B) Ressonância magnética de crânio.
  3. C) Análise do líquido cefalorraquidiano.
  4. D) Dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH).

Pérola Clínica

Declínio cognitivo em degraus + fatores de risco CV + imagem com lesões isquêmicas = Demência Vascular.

Resumo-Chave

A demência vascular é caracterizada por um declínio cognitivo relacionado a eventos cerebrovasculares. A Ressonância Magnética é o exame de escolha para identificar infartos lacunares, lesões de substância branca e micro-hemorragias que confirmam a etiologia.

Contexto Educacional

A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência em idosos. O caso clínico apresenta um paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular (HAS, DM, tabagismo) e um evento neurológico focal prévio (provável AIT ou AVC minor), seguido de alterações comportamentais e de linguagem. A ausência de alterações na TC inicial não exclui doença vascular, pois a TC é limitada para isquemias crônicas e lesões de pequenos vasos. A RM de crânio é o padrão-ouro para visualizar a carga isquêmica e estabelecer a correlação neuroanatômica com os déficits cognitivos apresentados, fechando o diagnóstico etiológico.

Perguntas Frequentes

Por que a RM é superior à TC no diagnóstico da demência vascular?

A Ressonância Magnética (RM) possui maior sensibilidade e resolução espacial para detectar alterações isquêmicas crônicas, especialmente na substância branca (leucoencefalopatia vascular) e pequenos infartos lacunares subcorticais que podem passar despercebidos na Tomografia Computadorizada (TC). Além disso, sequências específicas como o SWI (Susceptibility-Weighted Imaging) podem detectar micro-hemorragias, fundamentais para caracterizar a carga de doença de pequenos vasos, essencial para o diagnóstico etiológico da demência vascular.

Quais são as características clínicas típicas da demência vascular?

Diferente da Doença de Alzheimer, que apresenta um declínio insidioso e progressivo, a demência vascular frequentemente apresenta uma progressão 'em degraus' (piora súbita seguida de estabilização). Os pacientes costumam ter histórico de hipertensão, diabetes e tabagismo. Clinicamente, predominam disfunção executiva, lentificação do processamento mental e alterações de marcha ou sinais neurológicos focais, refletindo o dano às redes neurais por isquemia.

O MEEM serve para diagnóstico etiológico de demência?

Não. O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) é uma ferramenta de rastreio cognitivo que ajuda a quantificar o déficit e monitorar a progressão, mas ele não possui especificidade para determinar a causa da demência. Ele indica 'que' há um problema cognitivo, mas exames de imagem (como a RM) e laboratoriais são necessários para determinar 'por que' o problema existe (etiologia).

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