Manejo Comportamental na Demência Vascular: Guia Prático

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 62 anos, é levado pela sua filha em atendimento médico na unidade de saúde com relato de apresentar dificuldade de tomar decisões e de planejamento, início abrupto e ocorreu 3 meses após um acidente vascular cerebral (AVC). Ao longo do tempo, houve uma redução gradativa flutuante na função cognitiva. Há uma história de confusão noturna e incontinência. O paciente tem histórico de tabagismo ativo, dislipidemia e obesidade. Sua filha relata que o paciente perdeu autonomia na execução de tarefas rotineiras atribuídas a alteração cognitiva. Assinale a alternativa que é pertinente no manejo da alteração comportamental do paciente acima:

Alternativas

  1. A) As famílias e os cuidadores devem ser encorajados a promover o funcionamento independente pelo máximo de tempo possível.
  2. B) A depressão, apatia, agitação e agressividade são alterações comportamentais e psicológicos relacionados a demência.
  3. C) Intervenções psicológicas (por exemplo, terapia cognitivo-comportamental, terapias interpessoais) podem reduzir a depressão e a ansiedade em pessoas com demência.
  4. D) O uso de antipsicóticos atípicos podem sem usados com esta finalidade.
  5. E) Todas as alternativas estão corretas.

Pérola Clínica

Manejo da demência = Suporte ao cuidador + Terapias não farmacológicas + Antipsicóticos (se necessário).

Resumo-Chave

O tratamento das alterações comportamentais na demência vascular deve ser multidisciplinar, priorizando a autonomia e intervenções psicossociais antes ou junto ao manejo farmacológico.

Contexto Educacional

A demência vascular, frequentemente decorrente de múltiplos infartos ou doença de pequenos vasos, apresenta-se com declínio cognitivo em degraus e déficits executivos proeminentes. O manejo das alterações comportamentais e psicológicas da demência (BPSD) é um dos maiores desafios clínicos na geriatria. A evidência atual suporta uma abordagem centrada na pessoa, onde o suporte ao cuidador é tão vital quanto o tratamento do paciente, visando prevenir o burnout e a institucionalização precoce. O uso de medicamentos deve ser criterioso, especialmente em pacientes com histórico de AVC, devido ao risco aumentado de novos eventos isquêmicos e mortalidade associados ao uso prolongado de antipsicóticos.

Perguntas Frequentes

Qual o papel das intervenções não farmacológicas?

Intervenções como TCC, musicoterapia, estimulação cognitiva e adaptação ambiental são fundamentais para reduzir ansiedade e depressão. Elas melhoram a qualidade de vida sem os efeitos colaterais graves dos psicofármacos, como sedação excessiva, quedas ou aumento do risco cardiovascular em idosos.

Quando indicar antipsicóticos atípicos na demência?

São indicados quando há sintomas psicóticos graves, agitação ou agressividade que representam risco iminente ao paciente ou terceiros, e que não responderam a medidas ambientais. Devem ser usados na menor dose possível, por tempo limitado, com monitoramento rigoroso de efeitos extrapiramidais.

Como abordar a confusão noturna (sundowning)?

A abordagem envolve higiene do sono, manutenção de rotinas diurnas ativas, exposição à luz solar durante o dia e redução de ruídos/estímulos ao entardecer. O suporte à família para entender esse fenômeno é crucial para evitar o estresse do cuidador.

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