Demência Vascular: Fatores de Risco e Diagnóstico Clínico

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 72 anos de idade, com histórico de hipertensão e diabetes tipo 2, apresentou alterações cognitivas progressivas e dificuldade em realizar atividades de vida diária. Ao exame físico, mostrou sinais de desorientação temporal e espacial, FC FR = 18 irpm e SatO2 = 96%. 84 bpm. Qual é o diagnóstico mais provável nesse caso?

Alternativas

  1. A) Doença de Alzheimer.
  2. B) Demência vascular.
  3. C) Síndrome de Parkinson.
  4. D) Depressão em idosos.

Pérola Clínica

Idoso + HAS/DM + Declínio cognitivo súbito ou em degraus → Demência Vascular.

Resumo-Chave

A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência, fortemente associada a fatores de risco cardiovascular e lesões isquêmicas cerebrais acumuladas.

Contexto Educacional

A demência vascular engloba um espectro de distúrbios cognitivos causados por patologia vascular cerebral, desde grandes infartos corticais até doença de pequenos vasos subcorticais. A fisiopatologia envolve a hipóxia e isquemia neuronal crônica, levando à perda de conexões sinápticas e atrofia cerebral. Em pacientes com hipertensão e diabetes de longa data, a microangiopatia causa leucoencefalopatia (lesões de substância branca), visível na neuroimagem como hipodensidades na TC ou hipersinais em T2/FLAIR na RM. O diagnóstico é clínico-radiológico. O tratamento foca na prevenção secundária de novos eventos vasculares através do controle pressórico, glicêmico e uso de antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes, conforme indicado. Embora não haja cura para o dano estabelecido, a estabilização dos fatores de risco pode retardar significativamente o declínio funcional do paciente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar demência vascular de Alzheimer?

A diferenciação clínica entre demência vascular (DV) e doença de Alzheimer (DA) baseia-se frequentemente no início e na progressão dos sintomas. A demência vascular costuma apresentar um início mais súbito ou uma progressão 'em degraus', onde o declínio cognitivo ocorre após eventos isquêmicos agudos, muitas vezes acompanhado de sinais neurológicos focais (como hemiparesia ou alterações de marcha). Já a DA tem um início insidioso e progressão lenta e contínua, com predomínio inicial de déficit de memória episódica. A Escala de Hachinski é uma ferramenta útil: pontuações elevadas (>7) sugerem etiologia vascular, enquanto pontuações baixas (<4) sugerem DA. Exames de imagem, como TC ou RM de crânio, são fundamentais para identificar lesões isquêmicas ou hemorrágicas que corroboram o diagnóstico de DV.

Quais os principais fatores de risco para demência vascular?

Os fatores de risco para demência vascular são essencialmente os mesmos para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o fator de risco mais importante e tratável. Outros fatores críticos incluem o diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, tabagismo, obesidade, sedentarismo e fibrilação atrial (que aumenta o risco de AVCs embólicos). A presença de doença aterosclerótica sistêmica, como doença arterial coronariana ou periférica, também eleva significativamente o risco. O controle rigoroso desses fatores é a principal estratégia para prevenir o surgimento ou a progressão da demência vascular, destacando a importância do manejo clínico preventivo no idoso.

Qual o padrão de declínio cognitivo na demência vascular?

O padrão cognitivo na demência vascular pode ser variável, dependendo da localização e extensão das lesões cerebrais. Frequentemente, observa-se uma síndrome subcortical, caracterizada por lentificação do processamento mental, dificuldades de atenção, disfunção executiva (planejamento e organização) e alterações de humor ou personalidade. Diferente do Alzheimer, a memória episódica pode estar relativamente preservada nas fases iniciais, ou o paciente pode se beneficiar de pistas para recordar informações. Quando a demência é causada por múltiplos infartos corticais, os déficits são mais focais e relacionados às áreas cerebrais afetadas, como afasia ou apraxia.

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