FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Uma senhora de 80 anos, portadora de DM, HAS, foi levada ao ambulatório de geriatria com queixas de dificuldades de memória para fatos recentes e insônia há 3 meses, após internação por fratura colo de fêmur. Refere astenia, edema de membros inferiores e diz que tem exercido alguma atividade dentro de casa com muito esforço. Apresenta anedonia e tornou-se emotiva nos últimos meses chorando muito facilmente. Antecedentes patológicos: HA, DM2. Antecedentes familiares: IAM, HA e DM. O exame neurológico sucinto não mostrou alterações significativas. Dos instrumentos realizados: Mine -Mental 18 (analfabeta) GDS (escala de depressão geriátrica): 12 (15 questões). Avaliação Funcional: AVDs: Independente e AIVDs: parcialmente dependente. A conduta a ser tomada inicialmente é:
Idoso com declínio cognitivo e sintomas depressivos → Excluir causas reversíveis e tratar depressão (GDS > 5/15).
Em idosos com queixas cognitivas e sintomas depressivos (GDS 12/15 indica depressão), a prioridade é investigar e corrigir causas potencialmente reversíveis de declínio cognitivo (ex: hipotireoidismo, B12, medicações) e iniciar tratamento para a depressão, que pode mimetizar ou exacerbar a demência.
O declínio cognitivo em idosos é uma preocupação crescente, e a diferenciação entre demência, comprometimento cognitivo leve e causas reversíveis é um desafio clínico. A depressão geriátrica, muitas vezes subdiagnosticada, é uma das principais causas de pseudodemência, onde os sintomas cognitivos são secundários ao transtorno do humor e potencialmente reversíveis com tratamento. A prevalência de depressão em idosos é alta, especialmente após eventos estressores como internações e fraturas. A avaliação inicial de um idoso com queixas cognitivas e sintomas depressivos deve ser abrangente. É fundamental investigar causas potencialmente reversíveis de declínio cognitivo, que incluem deficiências nutricionais (B12, folato), hipotireoidismo, distúrbios metabólicos, infecções, hidrocefalia de pressão normal, hematoma subdural e, crucialmente, a polifarmácia. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é uma ferramenta valiosa para rastrear a depressão, e uma pontuação elevada, como no caso (12/15), reforça a hipótese de um componente depressivo significativo. A conduta inicial deve focar na exclusão e tratamento dessas causas reversíveis. Isso envolve exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, B12, eletrólitos, função renal e hepática), revisão da medicação e, se a depressão for confirmada, o início de um antidepressivo, como um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) em baixa dose, como o Citalopram. O tratamento da depressão pode levar a uma melhora significativa ou até à remissão dos sintomas cognitivos, evitando diagnósticos precipitados de demência irreversível.
As causas reversíveis incluem hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, desnutrição, distúrbios hidroeletrolíticos, infecções (como neurosífilis ou ITU), hidrocefalia de pressão normal, hematoma subdural crônico, uso de certas medicações (polifarmácia) e depressão (pseudodemência).
A GDS é uma ferramenta de rastreamento para depressão em idosos. Uma pontuação de 12 em 15 questões indica depressão significativa, o que é crucial, pois a depressão pode causar sintomas cognitivos que mimetizam a demência, sendo uma causa reversível de declínio.
Idosos frequentemente usam múltiplas medicações (polifarmácia), e muitos fármacos, como benzodiazepínicos, anticolinérgicos e alguns anti-hipertensivos, podem causar ou exacerbar sintomas cognitivos, astenia e sedação. A revisão da medicação é uma etapa essencial na investigação de declínio cognitivo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo