HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Mulher, 72 anos, previamente hígida, professora, vem à consulta trazendo exames acompanhada do filho. Este refere que a paciente permanece apresentando ''esquecimentos'' progressivos, de início há 4 meses, associado à dificuldade de abstração, anedonia, desânimo, julgamentos empobrecidos e, por vezes, alucinações visuais. Observam-se estado de consciência, vigília e atenção normais, choro frequente, ideias de desvalia, desorientação seletiva, além de memória recente e remota comprometidas. Miniexame do estado mental: 16 pontos. Demais dados do exame físico e exames complementares dentro da normalidade. Em relação ao caso clínico, qual é o diagnóstico?
Declínio cognitivo progressivo + sintomas depressivos em idoso, com MEEM baixo e atenção normal → Demência associada à depressão.
A paciente apresenta um quadro de declínio cognitivo progressivo (esquecimentos, dificuldade de abstração, julgamento empobrecido, desorientação, MEEM 16) que se sobrepõe a sintomas depressivos (anedonia, desânimo, choro, ideias de desvalia). A presença de consciência, vigília e atenção normais afasta o diagnóstico de delirium. Em idosos, a depressão é uma comorbidade comum e pode agravar ou mimetizar a demência.
A demência e a depressão são condições comuns em idosos, frequentemente coexistindo e apresentando sintomas que podem se sobrepor, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. A demência é caracterizada por um declínio cognitivo progressivo e persistente que interfere nas atividades de vida diária, enquanto a depressão geriátrica manifesta-se por humor deprimido, anedonia e outros sintomas afetivos, que podem, por vezes, cursar com queixas cognitivas (pseudodemência depressiva). No caso da paciente, o quadro de 'esquecimentos' progressivos, dificuldade de abstração, julgamentos empobrecidos, desorientação seletiva e um Mini Exame do Estado Mental (MEEM) de 16 pontos são fortes indicativos de um processo demencial. A presença de anedonia, desânimo, choro frequente e ideias de desvalia aponta para uma síndrome depressiva concomitante. É fundamental notar que a consciência, vigília e atenção normais afastam o diagnóstico de delirium, que se caracteriza por uma alteração aguda e flutuante do nível de consciência e atenção. O manejo de pacientes com demência e depressão exige uma abordagem multifacetada. O tratamento da depressão pode melhorar significativamente a qualidade de vida e, em alguns casos, até a função cognitiva. No entanto, a demência subjacente continuará a progredir. É essencial um acompanhamento contínuo para monitorar a evolução cognitiva e afetiva, ajustar terapias e oferecer suporte à família, visando otimizar a funcionalidade e o bem-estar do paciente.
Na demência, o declínio cognitivo é progressivo e insidioso, com esforço para responder e falhas de memória mais consistentes. Na depressão, o início é mais agudo, o paciente pode enfatizar suas falhas de memória ('não sei') e a atenção geralmente está preservada, mas há anedonia e humor deprimido proeminentes.
O MEEM é uma ferramenta de triagem para avaliar o estado cognitivo. Uma pontuação baixa (como 16 pontos no caso) sugere comprometimento cognitivo significativo, mas não diferencia a causa. Deve ser interpretado em conjunto com a história clínica e outros exames.
É crucial para o tratamento adequado. A depressão é tratável e sua melhora pode reverter sintomas cognitivos (pseudodemência). Na demência, o tratamento foca em retardar a progressão e manejar sintomas, e a depressão coexistente deve ser tratada para melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade.
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