Demência Frontotemporal: Diagnóstico e Manejo Comportamental

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 62 anos, ex-executivo de uma multinacional, é levado à consulta por sua esposa devido a mudanças persistentes em seu comportamento nos últimos 2 anos. A esposa relata que ele se tornou progressivamente "frio" e indiferente aos problemas familiares, perdendo a capacidade de demonstrar empatia, o que gerou conflitos significativos. Recentemente, ele foi flagrado tentando sair de um supermercado sem pagar por itens pequenos e passou a apresentar uma preferência exagerada por doces e carboidratos, algo que não era de seu costume. Ao exame mental, o paciente apresenta um escore de 26 no Mini Exame do Estado Mental (MEEM), perdendo pontos apenas em tarefas de atenção e cálculo. No entanto, apresenta desempenho muito pobre no teste do desenho do relógio e em testes de fluência verbal fonêmica (letra F). O exame neurológico motor é normal, sem sinais extrapiramidais. A ressonância magnética de crânio revela atrofia proeminente dos lobos frontais e das porções anteriores dos lobos temporais, com preservação relativa dos hipocampos. Com base no quadro clínico e nos achados complementares, o diagnóstico mais provável e a conduta farmacológica para o manejo dos sintomas comportamentais são:

Alternativas

  1. A) Demência Frontotemporal (variante comportamental); Inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
  2. B) Doença de Alzheimer; Inibidores da acetilcolinesterase.
  3. C) Transtorno Depressivo Maior; Antidepressivos tricíclicos.
  4. D) Demência com Corpos de Lewy; Antipsicóticos atípicos em baixas doses.

Pérola Clínica

DFT comportamental = desinibição + hiperoralidade + atrofia frontal/temporal anterior.

Resumo-Chave

A variante comportamental da DFT manifesta-se por mudanças de personalidade e conduta social, com preservação inicial da memória episódica e orientação.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) é uma causa comum de demência pré-senil, caracterizada pela degeneração dos lobos frontais e temporais anteriores. Diferente da Doença de Alzheimer, onde a perda de memória episódica é o sintoma cardinal, na variante comportamental da DFT, o declínio na conduta social e na personalidade precede as falhas cognitivas globais. Achados de imagem como atrofia frontal assimétrica e preservação hipocampal corroboram o diagnóstico. O manejo foca na segurança do paciente e no controle de sintomas neuropsiquiátricos, evitando-se antipsicóticos sempre que possível devido à sensibilidade extrapiramidal aumentada nesses pacientes. O suporte à família é essencial devido ao impacto social da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios clínicos para a variante comportamental da DFT?

Os critérios incluem desinibição social precoce, apatia ou inércia, perda de empatia, comportamentos perseverativos/compulsivos e hiperoralidade (mudanças dietéticas), associados a déficits executivos em testes neuropsicológicos.

Por que o MEEM pode ser normal no início da DFT?

O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) foca predominantemente em memória e orientação (funções temporais posteriores e hipocampais), que são preservadas no início da DFT. A doença afeta primeiro as funções executivas e o comportamento, não captados pelo MEEM.

Qual o papel dos ISRS no tratamento da DFT?

Embora não tratem o déficit cognitivo subjacente, os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (como sertralina ou paroxetina) ajudam a controlar sintomas como impulsividade, irritabilidade, compulsão alimentar e comportamentos repetitivos.

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