Demência Frontotemporal: Sinais, Diagnóstico e Diferenciais

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Homem, 70 anos, engenheiro, foi trazido ao consultório pelo filho que relatou que o pai sempre foi muito discreto e polido. Há seis meses, em reunião familiar, observou que o pai estava agitado, gritando e gesticulando muito, inclusive com gestos obscenos. Há 2 meses, ao visitar o pai, o mesmo estava nu. O paciente vem apresentando dificuldades para realizar cálculos simples e por isso deixou de trabalhar. Não usa medicamentos e não tem relato de doenças psiquiátricas prévias. Exame físico normal.Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Hidrocefalia de pressão normal.
  2. B) Demência devido a Doença de Alzheimer.
  3. C) Demência frontotemporal.
  4. D) Pseudodemência depressiva.

Pérola Clínica

Demência com alterações comportamentais proeminentes (desinibição, agitação) antes ou junto com cognitivas → suspeitar de Demência Frontotemporal.

Resumo-Chave

A Demência Frontotemporal (DFT) se manifesta por alterações comportamentais e de personalidade proeminentes, como desinibição e apatia, que surgem precocemente. Diferencia-se da Doença de Alzheimer, onde o déficit de memória é o sintoma inicial predominante.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) é um grupo de transtornos neurodegenerativos que afetam predominantemente os lobos frontal e temporal do cérebro. É a segunda causa mais comum de demência em indivíduos com menos de 65 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade. Sua importância clínica reside na apresentação atípica em comparação com a Doença de Alzheimer, com sintomas comportamentais e de linguagem proeminentes. O diagnóstico da DFT é complexo e baseia-se na avaliação clínica detalhada, neuropsicológica e exames de imagem. Os sintomas-chave incluem alterações de personalidade (desinibição, apatia, perda de empatia), comportamentos compulsivos ou repetitivos, e disfunção executiva (dificuldade em planejamento e organização). A memória episódica e a orientação espacial tendem a ser preservadas nas fases iniciais, o que a distingue da Doença de Alzheimer. Não há cura para a DFT, e o tratamento é focado no manejo sintomático e no suporte ao paciente e cuidadores. Medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) podem ser usados para controlar sintomas comportamentais. O prognóstico varia, mas a doença é progressiva. É crucial para residentes reconhecerem os padrões de apresentação para um diagnóstico precoce e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da demência frontotemporal?

A demência frontotemporal se manifesta principalmente por alterações comportamentais (desinibição social, apatia, perda de empatia, comportamentos repetitivos) e/ou distúrbios de linguagem (afasia progressiva), com a memória geralmente preservada nas fases iniciais.

Como a demência frontotemporal difere da Doença de Alzheimer?

A principal diferença é que na DFT, as alterações de personalidade e comportamento são os sintomas iniciais e mais marcantes, enquanto na Doença de Alzheimer o sintoma predominante é a perda de memória episódica.

Quais são os subtipos clínicos da demência frontotemporal?

Os principais subtipos são a variante comportamental (DFT-vc), caracterizada por mudanças de personalidade e comportamento, e as afasias progressivas primárias (APP), que incluem a afasia progressiva não fluente e a demência semântica, focadas em distúrbios de linguagem.

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