UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Mulher de 65 anos, que mora só e é hipertensa, comparece à consulta médica acompanhada por sua sobrinha que refere que a paciente sempre acumulou coisas no dia a dia, mas há cerca de 2 anos piorou e não permite que jogue fora qualquer objeto, mesmos os quebrados, nem que limpem sua casa. Tem incontinência urinária e sua cama e os tapetes da casa cheiram à urina. Apresenta isolamento social. Exame físico: despenteada, em precário estado de higiene. PA 180/100 mmHg. Testes cognitivos: preservação relativa de memória e dos domínios visuoespaciais, comprometimento da função executiva e comportamentos compulsivos. A etiológica mais provável é
Demência frontotemporal (DFT) = alterações comportamentais (acumulação, desinibição) + disfunção executiva + memória relativamente preservada.
O quadro clínico da paciente, com início insidioso de alterações comportamentais (acumulação patológica, negligência da higiene, isolamento social), comprometimento da função executiva e preservação relativa da memória e domínios visuoespaciais, é altamente sugestivo de Demência Frontotemporal (DFT). A DFT é caracterizada por degeneração dos lobos frontal e/ou temporal, resultando em mudanças de personalidade, comportamento e linguagem, enquanto a memória pode ser poupada nas fases iniciais.
A Demência Frontotemporal (DFT) é um grupo de transtornos neurodegenerativos que afetam predominantemente os lobos frontal e/ou temporal do cérebro. É a segunda causa mais comum de demência degenerativa em indivíduos com menos de 65 anos, embora possa ocorrer em idosos. Sua epidemiologia é menos prevalente que a Doença de Alzheimer, mas é crucial reconhecê-la devido às suas características clínicas distintas e ao impacto significativo na qualidade de vida do paciente e cuidadores. A fisiopatologia da DFT envolve a atrofia progressiva dos lobos frontais e/ou temporais, com acúmulo de proteínas anormais (como tau ou TDP-43) nas células nervosas. Clinicamente, a DFT é caracterizada por alterações proeminentes na personalidade, comportamento e/ou linguagem, com relativa preservação da memória e das habilidades visuoespaciais nas fases iniciais. Os sintomas comportamentais podem incluir desinibição, apatia, perda de empatia, comportamentos compulsivos (como a acumulação patológica descrita no caso), alterações alimentares e negligência da higiene. O diagnóstico é clínico, suportado por neuroimagem que mostra atrofia focal. O tratamento da DFT é sintomático e de suporte, visando manejar os sintomas comportamentais e melhorar a qualidade de vida. Não há cura ou tratamento que retarde a progressão da doença. O prognóstico é variável, mas a doença é progressiva e leva à dependência total. É fundamental para o residente diferenciar a DFT de outras demências, como Alzheimer, e de transtornos psiquiátricos, pois o manejo e o aconselhamento familiar são distintos. O caso apresentado, com acumulação, negligência de higiene, isolamento social e disfunção executiva com memória preservada, aponta fortemente para DFT.
Os sintomas comportamentais comuns na DFT incluem desinibição, apatia, perda de empatia, compulsões (como acumulação ou rituais), alterações nos hábitos alimentares e negligência da higiene pessoal.
A DFT tipicamente apresenta alterações comportamentais e de personalidade proeminentes no início, com memória relativamente preservada. A Doença de Alzheimer, por outro lado, caracteriza-se principalmente por perda de memória episódica progressiva.
O comprometimento da função executiva (planejamento, organização, tomada de decisão) é uma característica central da DFT, refletindo a disfunção dos lobos frontais e contribuindo para os comportamentos desadaptativos observados.
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