Demência Frontotemporal: Sinais e Diagnóstico Diferencial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Idoso de 75 anos comparece ao ambulatório de geriatria trazido pela família. Relatam dificuldades na memória, na tomada de decisões e na realização de tarefas diárias. Reportam ainda episódios de agressividade verbal e física. Como antecedentes, é tabagista há mais de 40 anos e fez uso moderado de álcool ao longo de toda a vida. Durante a consulta, permanece agitado, inquieto, com constantes repetições de palavras e com alguns comportamentos inadequados, tendendo à hipersexualização. O exame neurológico não mostra alterações significativas. Exames laboratoriais (hemograma, dosagem de ácido fólico, vitamina B12, TSH) tiveram resultados normais e a tomografia de crânio mostrou atrofia cortical moderada. Diante deste quadro, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Doença de Alzheimer
  2. B) Demência com corpos de Lewy
  3. C) Demência de Korsakoff
  4. D) Demência frontotemporal

Pérola Clínica

Demência com alterações comportamentais precoces (hipersexualização, agressividade) e afasia → Demência Frontotemporal.

Resumo-Chave

A Demência Frontotemporal (DFT) é caracterizada por alterações proeminentes de comportamento e personalidade, ou distúrbios de linguagem, que surgem precocemente no curso da doença, muitas vezes antes de déficits de memória significativos, diferenciando-a de outras demências como Alzheimer.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) é um grupo de transtornos neurodegenerativos que afetam predominantemente os lobos frontal e temporal do cérebro. É a segunda causa mais comum de demência degenerativa de início precoce (antes dos 65 anos), mas pode ocorrer em idosos, como no caso. Sua importância clínica reside no impacto significativo na personalidade, comportamento e linguagem do paciente, desafiando o diagnóstico diferencial com outras demências. A fisiopatologia da DFT envolve a degeneração neuronal e a presença de inclusões proteicas anormais (como proteínas tau ou TDP-43) nas regiões frontais e temporais. Clinicamente, manifesta-se por alterações comportamentais (desinibição social, apatia, perda de empatia, comportamentos repetitivos, hiperoralidade, hipersexualização) ou distúrbios de linguagem (afasia progressiva não fluente, demência semântica). O diagnóstico é clínico, suportado por neuroimagem que revela atrofia focal nos lobos afetados e exclusão de outras causas. O tratamento da DFT é sintomático e de suporte, visando manejar os sintomas comportamentais e melhorar a qualidade de vida do paciente e cuidadores. Não há cura ou tratamento que retarde significativamente a progressão da doença. Residentes devem estar atentos aos sinais comportamentais atípicos em idosos com demência para um diagnóstico preciso e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da Demência Frontotemporal (DFT)?

A DFT é caracterizada por alterações precoces e proeminentes no comportamento (desinibição, apatia, hiperoralidade, hipersexualização) e/ou na linguagem (afasia progressiva), com preservação relativa da memória no início.

Como diferenciar a Demência Frontotemporal da Doença de Alzheimer?

Na DFT, as alterações comportamentais e de personalidade são mais proeminentes e precoces, enquanto na Doença de Alzheimer, a perda de memória episódica é o sintoma inicial mais marcante. A atrofia cerebral também tem padrões distintos.

Quais exames complementares auxiliam no diagnóstico da Demência Frontotemporal?

Além da avaliação clínica e neuropsicológica, a neuroimagem (TC ou RM de crânio) pode mostrar atrofia predominante nos lobos frontal e/ou temporal. Exames laboratoriais são importantes para excluir outras causas de demência.

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