Demência Frontotemporal: Sinais Clínicos e Diagnóstico por Imagem

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Homem, 70 anos, engenheiro, foi trazido ao consultório pelo filho que relatou que o pai sempre foi muito discreto e polido. Há seis meses, em reunião familiar, observou que o pai estava agitado, gritando e gesticulando muito, inclusive com gestos obscenos. Há dois meses, ao visitar o pai, ele estava nu. O paciente vem apresentando dificuldades para realizar cálculos simples e para comunicação e, por isso, deixou de trabalhar. Não usa medicamentos e não tem relato de doenças psiquiátricas prévias. Exame físico normal. Ressonância magnética de crânio evidenciou aumento dos sulcos corticais difusamente, mais proeminente em região frontal bilateral. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Hidrocefalia de pressão normal.
  2. B) Pseudodemência depressiva.
  3. C) Demência frontotemporal.
  4. D) Demência devido a doença de Alzheimer.

Pérola Clínica

Mudança súbita de personalidade + desinibição social + atrofia frontal → Demência Frontotemporal.

Resumo-Chave

A variante comportamental da DFT caracteriza-se por perda precoce da conduta social, desinibição e apatia, frequentemente preservando a memória episódica nas fases iniciais.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) representa um grupo heterogêneo de distúrbios neurodegenerativos que afetam preferencialmente os lobos frontais e temporais. A variante comportamental (vcDFT) é a mais comum e desafiadora, pois os pacientes frequentemente apresentam exames físicos normais, mas exames neuropsicológicos revelam falhas graves em funções executivas e controle de impulsos. O caso clínico clássico envolve um paciente previamente polido que se torna socialmente inadequado, como o engenheiro descrito. O tratamento é focado no manejo de sintomas, utilizando inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) para controle de impulsos e comportamentos repetitivos, uma vez que inibidores da colinesterase (usados no Alzheimer) podem exacerbar a agitação na DFT.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas da variante comportamental da DFT?

Os sintomas cardinais incluem a desinibição comportamental (comportamento socialmente inadequado, perda de boas maneiras), apatia ou inércia, perda de empatia, comportamentos perseverativos ou ritualísticos e hiperoralidade (mudanças dietéticas ou ingestão de objetos). Diferente do Alzheimer, o déficit de memória episódica pode não ser proeminente no início do quadro, sendo a disfunção executiva a marca cognitiva principal.

Como a neuroimagem auxilia no diagnóstico da DFT?

A Ressonância Magnética (RM) de crânio é essencial para demonstrar atrofia focal nos lobos frontais e/ou temporais anteriores. Na variante comportamental, a atrofia frontal bilateral é comum. O PET-CT ou SPECT cerebral podem mostrar hipometabolismo ou hipoperfusão nessas mesmas regiões, auxiliando no diagnóstico quando a RM ainda é inconclusiva.

Qual a diferença entre DFT e Doença de Alzheimer?

A principal diferença reside na apresentação inicial. O Alzheimer tipicamente começa com déficits de memória episódica (esquecimento de eventos recentes) e desorientação espacial. A DFT (variante comportamental) inicia com alterações de personalidade, conduta social e julgamento. Além disso, a DFT tende a ocorrer em idades ligeiramente mais jovens (pré-senil) do que o Alzheimer típico.

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