Demência Frontotemporal: Sinais Clínicos e Diferenciação

SMS Foz do Iguaçu - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2025

Enunciado

A diferenciação clínica entre a Demência de Alzheimer (DA) e a Demência Frontotemporal (DFT) exige uma avaliação neuropsicológica detalhada, complementada por exames de neuroimagem e biomarcadores. Pacientes com DFT frequentemente apresentam manifestações distintas daquelas observadas na DA, principalmente no início do quadro. Dado o conhecimento atual sobre a fisiopatologia, os biomarcadores e as manifestações neurocognitivas de ambas as doenças, assinale a apresentação clinica característica do quadro de DFT.

Alternativas

  1. A) Comprometimento inicial das funções executivas e comportamento desinibido associado a atrofia do córtex pré-frontal e temporal anterior.
  2. B) Déficit precoce de memória episódica com preservação do julgamento e da linguagem, acompanhado de hipometabolismo parietal no FDG-PET.
  3. C) Predominância de déficits visuoespaciais desde os estágios iniciais, associado a acúmulo de proteína beta-amiloide detectado por PET-PIB.
  4. D) Deterioração cognitiva lenta e homogênea ao longo dos anos, com envolvimento inicial do hipocampo e preservação das funções executivas.
  5. E) Déficits progressivos em linguagem e memória, sem alterações comportamentais associadas a degeneração do giro eingulado posterior.

Pérola Clínica

DFT: Início com alterações comportamentais/funções executivas, atrofia frontal/temporal anterior. DA: Início com memória episódica.

Resumo-Chave

A Demência Frontotemporal (DFT) se distingue da Demência de Alzheimer (DA) por apresentar, precocemente, alterações comportamentais (desinibição, apatia) e comprometimento das funções executivas, com atrofia predominante nos lobos frontal e temporal anterior, ao invés de déficits de memória iniciais.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) é um grupo de doenças neurodegenerativas que afetam predominantemente os lobos frontal e temporal do cérebro, resultando em um perfil clínico distinto da Demência de Alzheimer (DA). Embora ambas causem demência, a DFT é a segunda causa mais comum de demência de início precoce (antes dos 65 anos), e sua diferenciação é crucial para o manejo e prognóstico. A fisiopatologia envolve o acúmulo de proteínas anormais, como tau ou TDP-43, em neurônios. Clinicamente, a DFT é caracterizada por um início insidioso e progressão gradual. A variante comportamental (DFTvc) é a mais comum, manifestando-se com alterações de personalidade e comportamento, como desinibição, apatia, perda de empatia, comportamentos repetitivos e mudanças nos hábitos alimentares. As funções executivas (planejamento, tomada de decisão) são comprometidas precocemente, enquanto a memória episódica tende a ser preservada nos estágios iniciais, ao contrário da DA. O diagnóstico da DFT é baseado na avaliação clínica, neuropsicológica e exames de neuroimagem (ressonância magnética) que mostram atrofia dos lobos frontal e/ou temporal anterior. Biomarcadores no líquor ou PET-CT com ligantes específicos podem auxiliar na diferenciação. O tratamento é sintomático e de suporte, visando manejar os sintomas comportamentais e melhorar a qualidade de vida do paciente e cuidadores, pois não há cura para a doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças clínicas entre Demência de Alzheimer e Demência Frontotemporal?

A DA tipicamente começa com déficit de memória episódica, enquanto a DFT se manifesta inicialmente com alterações comportamentais, disfunção executiva ou distúrbios de linguagem, com memória preservada no início.

Quais são os subtipos mais comuns da Demência Frontotemporal?

Os principais subtipos são a variante comportamental (DFTvc), caracterizada por mudanças de personalidade e comportamento, e as afasias progressivas primárias (APP), que afetam a linguagem de forma predominante.

Quais achados de neuroimagem são sugestivos de Demência Frontotemporal?

A neuroimagem (RM ou TC) geralmente revela atrofia predominante nos lobos frontal e/ou temporal anterior, que pode ser assimétrica, diferentemente da atrofia hipocampal mais proeminente na Demência de Alzheimer.

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