UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 67a, comparece à consulta clínica acompanhado pela filha, que relata história de desinibição, falas inapropriadas em ambientes públicos e comportamento hiperssexualizado. Apresenta dificuldade para trocar de roupa sozinho e se nega a tomar banho todos os dias. Não apresenta alteração de memória. Exame físico: PA = 120/80 mmHg; FC = 80 bpm; glicemia = 100 mg/dL. Neurológico: consciente, orientado, força grau 5, reflexos osteotendineos presentes e simétricos, reflexo de preensão palmar presente. O diagnóstico é:
Desinibição + Hiperoralidade + Memória preservada = Demência Frontotemporal (bvFTD).
A variante comportamental da DFT (bvFTD) manifesta-se por mudanças drásticas na personalidade e conduta social, com relativa preservação da memória nas fases iniciais.
A Demência Frontotemporal (DFT) engloba um grupo heterogêneo de distúrbios neurodegenerativos que afetam seletivamente os lobos frontais e temporais. A variante comportamental (bvFTD) é a mais comum e está associada a patologias de proteínas tau ou TDP-43. O diagnóstico é clínico, apoiado por neuroimagem (RM ou PET-CT) que demonstra hipometabolismo ou atrofia nestas regiões. Não há tratamento curativo, e o manejo foca no controle de sintomas comportamentais com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou antipsicóticos atípicos, sendo fundamental o suporte à família devido ao alto impacto psicossocial da doença.
Os sintomas cardinais incluem desinibição social precoce (comportamentos inapropriados, perda de decoro), apatia ou inércia, perda de empatia, comportamentos perseverativos ou ritualísticos (estereotipias) e hiperoralidade (mudanças dietéticas, tabagismo excessivo). Diferente do Alzheimer, a memória episódica e as funções visuoespaciais costumam estar preservadas no início do quadro.
O reflexo de preensão palmar é um 'reflexo primitivo' ou de 'liberação frontal'. Sua presença em adultos indica disfunção ou lesão nos lobos frontais, que normalmente inibem esses reflexos presentes no desenvolvimento neonatal. Na DFT, a degeneração lobar frontal libera esses comportamentos motores automáticos, auxiliando na localização anatômica da patologia.
A diferenciação baseia-se no domínio cognitivo inicialmente afetado. No Alzheimer, o déficit de memória episódica (esquecimento de fatos recentes) é o sintoma proeminente e precoce. Na DFT variante comportamental, o declínio é na conduta social e personalidade, com a memória frequentemente intacta em testes formais iniciais. Exames de imagem na DFT mostram atrofia predominante nos lobos frontais e/ou temporais anteriores.
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