UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
João, 65 anos, veio à consulta ambulatorial trazido pela filha, que queixa estar envergonhada com a mudança de comportamento do seu pai. Há cerca de 4 meses, começou a dizer frases de cunho sexual para a funcionária doméstica da casa, tem falado palavras de baixo calão para pessoas desconhecidas. Refere ainda que não pode deixar restos de comida na mesa, que come tudo, principalmente se for doce e só toma banho se for à noite, caso contrário fica extremamente irritado. O quadro clínico e comportamental do João corresponde à demência
Desinibição social + hiperoralidade + alterações de comportamento/irritabilidade → Demência Frontotemporal.
A Demência Frontotemporal (DFT) é caracterizada por alterações proeminentes de personalidade, comportamento e linguagem, em contraste com a Demência de Alzheimer, onde a perda de memória é o sintoma inicial predominante. A desinibição social, a hiperoralidade e a apatia são sintomas comportamentais típicos da DFT.
A Demência Frontotemporal (DFT) é um grupo de doenças neurodegenerativas que afetam predominantemente os lobos frontal e temporal do cérebro, resultando em alterações progressivas de comportamento, personalidade e/ou linguagem. É a segunda causa mais comum de demência degenerativa em indivíduos com menos de 65 anos, embora possa ocorrer em idades mais avançadas, como no caso apresentado. A fisiopatologia da DFT envolve a atrofia dos lobos frontal e temporal, com acúmulo de proteínas anormais (como tau ou TDP-43) nas células nervosas. Clinicamente, a variante comportamental da DFT (DFTvc) é a mais comum e se manifesta por desinibição social (comportamentos inadequados, perda de tato), apatia, perda de empatia, alterações na dieta (hiperoralidade, preferência por doces), comportamentos repetitivos e compulsivos, e irritabilidade. A memória e as habilidades visuoespaciais tendem a ser preservadas nas fases iniciais, o que a diferencia da Doença de Alzheimer. O diagnóstico da DFT é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras causas de demência, complementado por exames de neuroimagem (ressonância magnética ou tomografia computadorizada) que podem mostrar atrofia dos lobos frontal e temporal. Não há tratamento curativo, e o manejo é sintomático, focando no controle dos sintomas comportamentais. Para residentes, é crucial reconhecer os padrões de apresentação da DFT para um diagnóstico diferencial preciso e um plano de cuidado adequado.
Os principais sintomas comportamentais da Demência Frontotemporal incluem desinibição social (comportamentos inadequados, perda de tato), apatia, perda de empatia, alterações na dieta (hiperoralidade, preferência por doces), comportamentos repetitivos e compulsivos, e irritabilidade.
A Demência Frontotemporal se diferencia da Demência de Alzheimer principalmente pelos sintomas iniciais. Na DFT, predominam as alterações comportamentais e de personalidade, enquanto na Doença de Alzheimer, a perda de memória episódodica é o sintoma proeminente no início da doença.
A Demência Frontotemporal possui três subtipos clínicos principais: a variante comportamental (DFTvc), caracterizada por alterações de personalidade e comportamento; e as afasias progressivas primárias, que incluem a afasia progressiva não fluente e a demência semântica, com predomínio de distúrbios de linguagem.
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