Demência Frontotemporal: Sinais Comportamentais e Diagnóstico

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um paciente, sexo masculino, de 77 anos de idade, previamente saudável, e com 3 a 4 meses de declínio cognitivo, segundo relato da esposa e dos filhos. Eles relatam que o paciente estava fortemente envolvido em pequenos consertos dentro de casa e jogos de sinuca competitivos; entretanto, nos últimos seis meses, deixou de cuidar dos trabalhos domésticos e não demonstra absolutamente nenhum interesse por sinuca. Ele também apresenta crises inapropriadas de raiva em ambientes sociais, como casa lotérica. Nos últimos dois meses, teve um aumento de peso de 8,6kg e sempre parece estar comendo ou lanchando. Negam outras comorbidades. Com base nessa história, você está mais preocupado com qual dos seguintes diagnósticos?

Alternativas

  1. A) Doença de Alzheimer.
  2. B) Demência frontotemporal.
  3. C) Demência com corpos de Lewy.
  4. D) Doença de Creutzfeldt-Jakob.
  5. E) Demência vascular.

Pérola Clínica

Mudança de personalidade + desinibição + hiperfagia em idoso → Pensar em Demência Frontotemporal.

Resumo-Chave

A variante comportamental da DFT (DFTvc) caracteriza-se por alterações precoces de conduta, perda de empatia e compulsões alimentares, frequentemente preservando a memória episódica inicial.

Contexto Educacional

A Demência Frontotemporal (DFT) representa um grupo heterogêneo de distúrbios neurodegenerativos que afetam seletivamente os lobos frontais e temporais. A variante comportamental é a mais comum e está associada a patologias de proteínas Tau ou TDP-43. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rascovsky, que exigem pelo menos três de seis características: desinibição, apatia, perda de empatia, comportamento perseverativo, hiperoralidade e perfil neuropsicológico executivo. No manejo clínico, é fundamental o suporte à família, dado o alto impacto psicossocial das crises de raiva e comportamentos inadequados. Diferente do Alzheimer, os inibidores da colinesterase não são indicados e podem até exacerbar a agitação. O tratamento foca no controle de sintomas com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) para compulsões e antipsicóticos atípicos para agressividade, sempre priorizando intervenções não farmacológicas de manejo ambiental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da variante comportamental da DFT?

Os sintomas cardinais incluem a desinibição social (comportamento inadequado, perda de decoro), apatia ou inércia, perda de empatia ou simpatia, comportamentos perseverativos ou compulsivos e a hiperfagia (mudanças nos hábitos alimentares, preferência por doces ou ganho de peso). Diferente do Alzheimer, o declínio cognitivo inicial na DFT foca mais em funções executivas do que na memória episódica, que pode estar relativamente preservada nas fases iniciais da doença.

Como diferenciar a DFT da Doença de Alzheimer?

A diferenciação clínica baseia-se na ordem de aparecimento dos sintomas. No Alzheimer, o sintoma inicial típico é a perda de memória episódica (esquecimento de fatos recentes). Na DFT variante comportamental, as alterações de personalidade, conduta social e controle de impulsos precedem as falhas de memória. Exames de imagem na DFT costumam mostrar atrofia predominante nos lobos frontais e temporais anteriores, enquanto no Alzheimer a atrofia é mais proeminente nos hipocampos e lobos parietais.

Qual a importância da hiperfagia no diagnóstico de demência?

A hiperfagia e a mudança de hábitos alimentares (como o 'pica' ou desejo súbito por carboidratos/doces) são critérios diagnósticos fortes para a variante comportamental da DFT. Esse sintoma reflete a disfunção de circuitos frontais e hipotalâmicos responsáveis pelo controle da saciedade e recompensa. Em um paciente com declínio cognitivo, o ganho de peso rápido e a busca incessante por comida devem direcionar o raciocínio clínico para a patologia frontotemporal em vez de outras demências degenerativas.

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