IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2023
Homem, 65 anos, hipertenso controlado, sem outras doenças, comparece consulta de rotina. O acompanhante refere alteração de comportamento há cerca de cinco anos, com agravamento há dois meses, quando ficou mais confuso. Refere que o paciente urina no meio da sala, tira a roupa na rua e estoca comida no guardaroupa. Às vezes come doces compulsivamente. Exame neurológico: sem déficits focais. A hipótese diagnóstica é:
Demência fronto-temporal → alterações comportamentais (desinibição, hiperoralidade, apatia) + disfunção executiva, sem déficits focais iniciais.
A demência fronto-temporal (DFT) caracteriza-se por alterações proeminentes de comportamento e personalidade, como desinibição, apatia, hiperoralidade e comportamentos repetitivos, que precedem ou são mais marcantes que os déficits de memória. A ausência de déficits focais no exame neurológico inicial é comum.
A Demência Fronto-Temporal (DFT) é um grupo de doenças neurodegenerativas que afetam predominantemente os lobos frontal e temporal do cérebro. É a segunda causa mais comum de demência em indivíduos com menos de 65 anos, embora possa ocorrer em idades mais avançadas. Sua importância clínica reside na apresentação atípica em comparação com a Doença de Alzheimer, com impacto significativo na personalidade e comportamento do paciente, o que frequentemente leva a atrasos no diagnóstico. A fisiopatologia da DFT envolve a acumulação de proteínas anormais (como tau ou TDP-43) nos neurônios dos lobos frontal e temporal, levando à sua degeneração. Clinicamente, a DFT manifesta-se principalmente por alterações comportamentais (variante comportamental) ou distúrbios de linguagem (variante afásica progressiva). Na variante comportamental, os pacientes apresentam desinibição social, impulsividade, perda de empatia, apatia, comportamentos repetitivos e compulsão alimentar (hiperoralidade), como o consumo excessivo de doces. A memória e as habilidades visuoespaciais tendem a ser preservadas nas fases iniciais. O diagnóstico da DFT é clínico, baseado nos critérios diagnósticos e na exclusão de outras causas de demência. Exames de neuroimagem (ressonância magnética ou tomografia) podem mostrar atrofia dos lobos frontal e/ou temporal. O tratamento é sintomático e de suporte, focando no manejo dos sintomas comportamentais e na educação dos cuidadores. Não há cura para a DFT, e a progressão da doença é variável, mas geralmente leva a uma deterioração significativa da função cognitiva e comportamental.
Os principais sintomas incluem desinibição social, perda de empatia, apatia, comportamentos repetitivos e estereotipados, hiperoralidade (compulsão por doces ou alimentos), e alterações na higiene pessoal.
A DFT se distingue pela predominância de alterações comportamentais e de personalidade no início, com memória relativamente preservada. A Doença de Alzheimer, por sua vez, tipicamente começa com déficits de memória episódica.
A DFT é caracterizada pela atrofia progressiva dos lobos frontal e/ou temporal do cérebro, o que explica as disfunções nas áreas de comportamento, personalidade, linguagem e função executiva.
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