UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 72a, engenheira, apresenta queixa progressiva de desatenção há cerca de dois anos, sem sintomas motores. Apresenta dificuldade de planejamento, de tomar conta de suas finanças e de iniciativa para conversas. Há um ano, começou a se perder em locais novos e a enxergar animais e pessoas que não existem, além de ideias infundadas sobre traição de sua esposa. Esporadicamente fica excessivamente sonolenta, dormindo algumas horas durante o dia, mesmo tendo dormido bem à noite. Nega uso de medicamentos. Exame neurológico: marcha com pequenos passos, rigidez com roda denteada em membros superiores e bradicinesia. Exame cognitivo de Montreal (MoCA)=22/30. Ressonância de crânio mostra discreta atrofia cortical posterior.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
DCL = Demência + Flutuação cognitiva + Alucinações visuais + Parkinsonismo.
A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é caracterizada pela tríade de demência, flutuação cognitiva e alucinações visuais recorrentes, frequentemente acompanhada de parkinsonismo. A presença de sonolência diurna excessiva e delírios também são achados comuns que reforçam o diagnóstico.
A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é a segunda causa mais comum de demência neurodegenerativa, superada apenas pela Doença de Alzheimer. Sua importância clínica reside na complexidade diagnóstica e na necessidade de manejo específico, dado que pacientes com DCL podem ter sensibilidade aumentada a antipsicóticos convencionais. O reconhecimento precoce é crucial para otimizar o tratamento e melhorar a qualidade de vida. A fisiopatologia da DCL envolve o acúmulo de corpos de Lewy (agregados de alfa-sinucleína) em neurônios corticais e subcorticais. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de demência e pelo menos duas das três características centrais: flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes e parkinsonismo espontâneo. O distúrbio comportamental do sono REM é uma característica de suporte forte. A suspeita deve surgir em pacientes idosos com declínio cognitivo que apresentam esses sintomas atípicos para outras demências. O tratamento da DCL é sintomático e multidisciplinar. Inibidores da colinesterase (como rivastigmina ou donepezila) podem melhorar os sintomas cognitivos e as alucinações. Para o parkinsonismo, levodopa pode ser usada com cautela, pois pode exacerbar as alucinações. Antipsicóticos atípicos em doses baixas (ex: quetiapina) podem ser considerados para alucinações ou delírios refratários, mas com monitoramento rigoroso devido à sensibilidade. O prognóstico é variável, mas geralmente a progressão é mais rápida que na Doença de Alzheimer.
Os critérios centrais incluem demência, flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes e parkinsonismo espontâneo. Outras características como distúrbio comportamental do sono REM e sensibilidade a neurolépticos também são importantes.
A DCL se distingue da Doença de Alzheimer pela presença precoce e proeminente de flutuação cognitiva, alucinações visuais e parkinsonismo. Na Doença de Alzheimer, a perda de memória é o sintoma inicial dominante, e alucinações ou parkinsonismo são mais tardios ou ausentes.
A flutuação cognitiva, caracterizada por variações acentuadas na atenção e alerta, é um dos pilares diagnósticos da DCL. Ela pode se manifestar como sonolência diurna excessiva, períodos de confusão e desorganização que variam ao longo do dia ou da semana.
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