USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 78 anos de idade, arquiteto aposentado (16 anos de escolaridade), casado, comparece à consulta ambulatorial acompanhado da sua filha e sua esposa. A filha relata que ele apresenta episódios de confusão mental há 1 ano. Ele acorda bem, porém, ao longo da tarde fica “aéreo” e desorientado. Às vezes, diz que vê crianças correndo pela casa. Embora frequentes, estes episódios não ocorrem todos os dias. A esposa também se queixa de que o paciente tem sono agitado com gritos e movimentações intensas, já tendo a machucado numa ocasião. Ao exame clínico geral, tem sinais vitais normais e não se detectam anormalidades. Ao exame neurológico, houve um desempenho de 24 pontos do mini exame do estado mental (perdeu 1 ponto na orientação temporal, 3 na subtração em série, 1 em evocação, 1 na cópia dos pentágonos), bradicinesia e marcha em pequenos passos. Exames laboratoriais foram normais e a ressonância magnética do crânio mostrou atrofia cortical difusa, sem outras alterações. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e o tratamento inicial indicado ao paciente.
Demência Corpos de Lewy = flutuação cognitiva + alucinações visuais + parkinsonismo + distúrbio sono REM. Tratamento inicial: Rivastigmina.
A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é caracterizada pela tríade de flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes e parkinsonismo espontâneo, frequentemente precedida por distúrbio comportamental do sono REM. O tratamento inicial visa melhorar os sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos, sendo os inibidores da acetilcolinesterase, como a rivastigmina, a primeira linha.
A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é a segunda causa mais comum de demência neurodegenerativa, superada apenas pela Doença de Alzheimer. Caracteriza-se pela presença de corpos de Lewy (agregados de alfa-sinucleína) no córtex cerebral e tronco encefálico. É crucial para o residente reconhecer seus sintomas distintivos para um diagnóstico e manejo adequados, impactando diretamente a qualidade de vida do paciente e seus cuidadores. O diagnóstico da DCL baseia-se em critérios clínicos, incluindo flutuação cognitiva (alterações na atenção e alerta), alucinações visuais recorrentes (geralmente bem formadas e detalhadas), parkinsonismo espontâneo (bradicinesia, rigidez, tremor de repouso) e distúrbio comportamental do sono REM (DBCSR). O DBCSR pode preceder os outros sintomas em muitos anos. A ressonância magnética geralmente mostra atrofia cortical difusa, mas não alterações específicas para DCL. O tratamento da DCL é sintomático. Inibidores da acetilcolinesterase, como a rivastigmina, são a primeira linha para os sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos. Para o parkinsonismo, a levodopa pode ser usada com cautela, devido ao risco de piora das alucinações. Antipsicóticos devem ser evitados ou usados em doses muito baixas e com extrema cautela, devido à alta sensibilidade dos pacientes com DCL a esses medicamentos e ao risco de síndrome neuroléptica maligna.
Os principais sinais incluem flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes, parkinsonismo espontâneo e distúrbio comportamental do sono REM.
A rivastigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, é utilizada para melhorar os sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos, atuando na deficiência colinérgica comum na DCL.
A DCL se diferencia pela presença precoce de alucinações visuais, flutuação cognitiva e parkinsonismo, que são menos comuns ou surgem mais tardiamente na Doença de Alzheimer.
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