PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024
Paciente com 85 anos, totalmente dependente para as atividades básicas e instrumentais de vida diária devido demência de Alzheimer avançada vem apresentando dificuldades para se alimentar com perda ponderal importante no último ano, redução da massa muscular e aparecimento de lesão por pressão na região sacral. Assinale a conduta adequada:
Demência avançada com disfagia e perda ponderal → foco em conforto, adequação alimentar e fonoaudiologia, não em alimentação artificial invasiva.
Em pacientes com demência avançada e disfagia, a alimentação artificial (sonda nasoenteral ou gastrostomia) não melhora a sobrevida, o estado nutricional ou a qualidade de vida, e pode aumentar o desconforto. A abordagem adequada foca em cuidados paliativos, adequação da dieta, assistência na alimentação e suporte fonoaudiológico para otimizar a deglutição e o prazer de comer.
Pacientes com demência de Alzheimer avançada frequentemente desenvolvem disfagia, que é a dificuldade de deglutição. Essa condição, combinada com a perda de autonomia e o declínio cognitivo, leva à perda ponderal, redução da massa muscular e aumento do risco de complicações como lesões por pressão, como observado no caso. A abordagem para esses pacientes deve ser centrada no conforto, na qualidade de vida e nos princípios dos cuidados paliativos. A passagem de sondas nasoenterais ou a realização de gastrostomias para alimentação artificial em pacientes com demência avançada e disfagia é um tema controverso. Evidências atuais demonstram que essas intervenções não prolongam a vida, não previnem pneumonia aspirativa, não melhoram o estado nutricional de forma significativa e não promovem a cicatrização de lesões por pressão. Pelo contrário, podem aumentar o desconforto, a necessidade de contenção e o risco de complicações. A conduta mais adequada, portanto, é focar na alimentação oral assistida, com adequação da consistência dos alimentos (dietas pastosas, purês, espessantes), respeito às preferências e ao ritmo do paciente, e o envolvimento de uma equipe multidisciplinar. O fonoaudiólogo desempenha um papel crucial na avaliação e reabilitação da deglutição, oferecendo estratégias para minimizar o risco de aspiração e maximizar o prazer de comer. O objetivo é manter o conforto e a dignidade do paciente, em vez de buscar uma "recuperação nutricional" que muitas vezes é inatingível e não benéfica nesta fase da doença.
A alimentação artificial (sonda nasoenteral ou gastrostomia) em pacientes com demência avançada e disfagia não demonstrou melhorar a sobrevida, o estado nutricional, a cicatrização de lesões por pressão ou a qualidade de vida, e pode aumentar o risco de pneumonia aspirativa e desconforto.
As recomendações incluem a adequação da consistência dos alimentos, assistência cuidadosa durante as refeições, respeito ao tempo e ritmo do paciente, uso de utensílios adaptados e o envolvimento de fonoaudiólogos para otimizar a deglutição e o prazer de comer, focando no conforto.
Os cuidados paliativos em demência avançada focam na qualidade de vida e no conforto do paciente. Em relação à nutrição, isso significa priorizar a alimentação oral prazerosa e assistida, evitando intervenções invasivas que não trazem benefício comprovado e podem gerar sofrimento desnecessário.
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