Nutrição em Demência Avançada: Via Oral e Cuidados Paliativos

PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2020

Enunciado

AMS, 76 anos, com histórico de Alzheimer há aproximadamente 10 anos. No último ano encontra-se acamada, não comunicativa, gemente, em uso de fraldas. Possui como cuidadora a sua filha de 50 anos, a qual conta com orgulho que nesses anos todos tem conseguido cuidar da mãe sem que desenvolvesse úlceras de pressão, sem necessitar de Internação por alguma Infecção pulmonar ou urinária e conseguido manter a alimentação pela boca. Agora. durante a visita domiciliar, apresenta-se angustiada, acha que mãe está muito emagrecida e pergunta se não deveria se alimentar por sonda. Em relação á nutrição da paciente e ás vias de administração, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Deverá ser dada preferência para terapia nutricional via intravenosa nesse caso, tendo em vista o quadro da paciente.
  2. B) A gastrostomia poderia ser indicada se o suporte nutricional fosse por um tempo curto e determinado.
  3. C) Mesmo com demência grave deve-se negociar com o cuidador a via oral, com medidas comportamentais, como respeitar o seu ritmo de ingestão.
  4. D) A nutrição e hidratação artificiais são indicadas para o caso, pois têm a vantagem de oferecer poucos riscos, como infecções.
  5. E) Neste caso deve-se evitar a distanásia, ou seja, o ideal é fazer todas as intervenções médicas necessárias para que o quadro não progrida.

Pérola Clínica

Demência avançada → Priorizar via oral com adaptações, evitar intervenções invasivas desnecessárias.

Resumo-Chave

Em pacientes com demência avançada, a alimentação por via oral, mesmo que adaptada (respeitando o ritmo, consistência), é preferível à alimentação artificial (sondas), pois esta não melhora a sobrevida, não previne pneumonia aspirativa e pode aumentar o desconforto, sendo uma medida de distanásia. A decisão deve ser compartilhada com a família.

Contexto Educacional

A demência avançada, como a doença de Alzheimer em estágio terminal, é caracterizada por um declínio cognitivo e funcional progressivo, levando à dependência total, dificuldade de comunicação e, frequentemente, disfagia. Neste estágio, a prioridade dos cuidados muda de curativa para paliativa, focando no conforto, dignidade e qualidade de vida do paciente. A nutrição é um aspecto crucial e frequentemente desafiador. A manutenção da alimentação por via oral, mesmo que adaptada e com tempo prolongado, é a abordagem preferencial. Medidas comportamentais, como oferecer pequenas porções, respeitar o ritmo de ingestão, adaptar a consistência dos alimentos e criar um ambiente tranquilo, são fundamentais para garantir a ingestão calórica e o prazer de comer. A decisão de manter a via oral deve ser negociada e compartilhada com os cuidadores, que muitas vezes sentem culpa pela perda de peso do paciente e buscam soluções mais "agressivas". A alimentação artificial por sonda (nasoenteral ou gastrostomia) em pacientes com demência avançada não é recomendada pelas principais diretrizes de cuidados paliativos. Estudos demonstram que essas intervenções não prolongam a vida, não previnem pneumonia aspirativa (que é multifatorial nesses pacientes) nem úlceras de pressão, e podem, na verdade, aumentar o desconforto, a agitação e a necessidade de contenção. A indicação de gastrostomia seria para suporte nutricional por tempo determinado em pacientes com prognóstico de recuperação, o que não se aplica à demência avançada. Evitar a distanásia, ou seja, a obstinação terapêutica que prolonga o sofrimento sem benefício real, é um princípio ético fundamental nesses casos.

Perguntas Frequentes

Por que a alimentação por sonda não é recomendada em demência avançada?

A alimentação por sonda em demência avançada não demonstrou melhorar a sobrevida, o estado nutricional, prevenir pneumonia aspirativa ou úlceras de pressão, e pode aumentar o desconforto e a necessidade de restrição física.

Quais são as vantagens de manter a via oral em pacientes com demência grave?

Manter a via oral permite que o paciente desfrute do prazer de comer, promove a interação social e familiar, e é mais consistente com os princípios dos cuidados paliativos, focando no conforto e na qualidade de vida.

O que é distanásia no contexto da demência avançada?

Distanásia refere-se à prolongação artificial da vida de um paciente em estado terminal, sem perspectiva de melhora, através de intervenções médicas desproporcionais que apenas prolongam o sofrimento, como a alimentação por sonda em demência avançada.

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