Alzheimer Avançado: Descontinuação de Donepezila e Memantina

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 88 anos, em seguimento ambulatorial por demência de Alzheimer, comparece à consulta acompanhada da filha, que relata que a paciente permanece a maior parte do dia sentada ou deitada, comunicando-se com poucas palavras, incontinente (urinária e fecal) e dependente para todas as atividades de vida diária. Essas alterações se instauraram progressivamente no decorrer dos últimos meses. Paciente é incapaz de realizar o mini exame de estado mental. Utiliza donepezila 10 mg/dia e memantina20mg/dia há um ano. Em relação ao manejo dessas medicações, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Manter tanto a donepezila quanto a memantina;
  2. B) Suspender a donepezila e manter a memantina;
  3. C) Suspender a memantina e manter a donepezila;
  4. D) Suspender tanto a donepezila quanto a memantina.

Pérola Clínica

Demência de Alzheimer avançada: considerar suspender donepezila e memantina devido a benefício limitado e riscos.

Resumo-Chave

Em pacientes com demência de Alzheimer em estágio muito avançado, caracterizado por dependência total para atividades de vida diária, incontinência e comunicação mínima, os benefícios dos medicamentos antidemenciais como donepezila (inibidor da colinesterase) e memantina (antagonista NMDA) são geralmente mínimos ou inexistentes. Nesses casos, a descontinuação gradual dessas medicações deve ser considerada, focando no conforto e na qualidade de vida do paciente.

Contexto Educacional

A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente. O tratamento farmacológico com inibidores da colinesterase (como donepezila) e antagonistas do receptor NMDA (como memantina) é amplamente utilizado para retardar a progressão dos sintomas cognitivos e funcionais nas fases leve a moderada da doença. No entanto, a eficácia desses medicamentos é limitada e diminui progressivamente à medida que a doença avança. Em estágios muito avançados da demência de Alzheimer, quando o paciente apresenta dependência total para as atividades de vida diária, comunicação severamente comprometida, incontinência e um declínio cognitivo profundo (incapaz de realizar o Mini Exame do Estado Mental), o benefício clínico da donepezila e da memantina torna-se questionável. Estudos e diretrizes sugerem que, nesses cenários, a manutenção desses medicamentos pode não trazer benefícios significativos e pode expor o paciente a efeitos adversos desnecessários, contribuindo para a polifarmácia. A decisão de suspender a donepezila e a memantina deve ser individualizada, considerando o estado funcional do paciente, a presença de efeitos adversos, a expectativa de vida e os objetivos de cuidado, que geralmente se voltam para o conforto e a qualidade de vida. A descontinuação deve ser gradual, e a família deve ser orientada sobre os motivos e o que esperar. Essa abordagem reflete uma prática de desprescrição consciente, essencial na geriatria e nos cuidados paliativos, visando otimizar o tratamento e minimizar riscos em pacientes frágeis.

Perguntas Frequentes

Por que a donepezila e a memantina podem ser suspensas na demência avançada?

Em estágios avançados da demência de Alzheimer, a eficácia da donepezila (inibidor da colinesterase) e da memantina (antagonista NMDA) torna-se marginal ou ausente. Os benefícios cognitivos e funcionais são mínimos, enquanto os riscos de efeitos adversos (gastrointestinais, bradicardia, tontura) persistem ou aumentam, tornando a manutenção da medicação menos vantajosa.

Quais são os critérios para considerar a descontinuação de antidemenciais?

A descontinuação deve ser considerada em pacientes com demência de Alzheimer em estágio avançado, caracterizado por dependência total para atividades de vida diária, comunicação mínima, incontinência e ausência de resposta funcional ou cognitiva aos medicamentos. A decisão deve ser individualizada, discutida com a família e focada na qualidade de vida.

Qual a importância de reavaliar o plano terapêutico em demência avançada?

A reavaliação periódica do plano terapêutico é crucial para adaptar o tratamento às necessidades do paciente em cada estágio da doença. Na demência avançada, o foco muda de melhora cognitiva para o conforto, manejo de sintomas comportamentais e cuidados paliativos, tornando a desprescrição de medicamentos com benefício limitado uma prática importante.

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