UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Das medicações abaixo, utilizadas em unidade de terapia intensiva, qual está associada com o desenvolvimento de delirium?
Benzodiazepínicos (Midazolam) = fator de risco independente para delirium em pacientes críticos.
O uso de benzodiazepínicos na UTI está fortemente associado ao aumento da incidência e duração do delirium, devendo ser evitados em favor de estratégias de sedação leve.
O delirium é uma disfunção orgânica cerebral aguda frequente em Unidades de Terapia Intensiva, associada a maior mortalidade, tempo de internação e declínio cognitivo a longo prazo. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo a gravidade da doença de base, privação de sono, imobilidade e, crucialmente, a exposição a drogas deliriogênicas. Historicamente, o Midazolam foi amplamente utilizado devido ao seu baixo custo e propriedades amnésicas. No entanto, evidências robustas demonstram que ele é um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de delirium. Atualmente, a estratégia 'eCASH' (early Comfort using Analgesia, minimal Sedatives and Humane care) preconiza a redução drástica do uso de benzodiazepínicos, reservando-os para indicações específicas como abstinência alcoólica, convulsões ou bloqueio neuromuscular.
Os benzodiazepínicos, como o Midazolam, atuam nos receptores GABA-A, alterando profundamente a arquitetura do sono e a neurotransmissão central. Em pacientes críticos, essa modulação está associada a uma desorganização do pensamento e flutuação do nível de consciência, agindo como um gatilho farmacológico para o delirium hipoativo ou hiperativo.
Diretrizes internacionais (como as da SCCM) recomendam priorizar a analgesia antes da sedação ('analgosedation') e, quando a sedação for necessária, preferir agentes não-benzodiazepínicos. A dexmedetomidina (um agonista alfa-2) e o propofol estão associados a menores taxas de delirium e menor tempo de ventilação mecânica.
O diagnóstico é clínico, mas deve ser sistematizado através de ferramentas validadas, sendo a mais comum o CAM-ICU (Confusion Assessment Method for the ICU). Ele avalia quatro critérios: início agudo ou curso flutuante, inatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência.
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