FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Uma mulher de 88 anos de idade é internada na UTI com sepse grave por pneumonia complicada e com insuficiência renal e respiratória. Na abordagem inicial e feita ressuscitação volêmica, vasopressores, antibióticos de amplo espectro, ventilação mecânica invasiva e sedação química. Inicialmente, em alerta, calma e cooperativa. No turno da manhã, a técnica de enfermagem relata que a paciente está agora orientada apenas para pessoas, parece estar retraída e tem dificuldade em acompanhar uma conversa, mostrando-se letárgica. Qual dos seguintes medicamentos tem mais probabilidade de ter contribuído para a disfunção cognitiva aguda dessa paciente?
Midazolam (Benzodiazepínicos) = Principal fator de risco farmacológico para Delirium na UTI.
O uso de benzodiazepínicos em idosos criticamente enfermos está fortemente associado ao desenvolvimento de delirium, especialmente a forma hipoativa, que é frequentemente subdiagnosticada.
O delirium é uma síndrome de disfunção cerebral aguda manifestada por alterações flutuantes na atenção e cognição. Em pacientes idosos com sepse grave, múltiplos fatores contribuem para sua gênese, incluindo neuroinflamação, hipóxia tecidual e desequilíbrios de neurotransmissores. A polifarmácia e o uso de drogas psicoativas são gatilhos modificáveis cruciais. Medicamentos com propriedades anticolinérgicas e benzodiazepínicos (como o midazolam) são os principais vilões farmacológicos. O midazolam, em particular, possui meia-vida prolongada em idosos e em pacientes com insuficiência renal, acumulando metabólitos ativos que exacerbam a confusão mental e a letargia. A estratégia 'ABCDEF bundle' recomenda a priorização de analgesia sobre sedação e a escolha de sedativos não-benzodiazepínicos para mitigar esse risco.
O delirium hipoativo é caracterizado por letargia, lentidão psicomotora, retraimento social e redução do nível de consciência. Diferente do hiperativo, não apresenta agitação. É a forma mais comum em idosos na UTI e possui pior prognóstico, pois é menos identificado pela equipe assistencial, retardando a intervenção nas causas subjacentes.
Estudos demonstram que benzodiazepínicos como o midazolam são fatores de risco independentes para o desenvolvimento de delirium. Eles alteram a arquitetura do sono e a neurotransmissão GABAérgica, prolongando o tempo de ventilação mecânica e a permanência na UTI. Atualmente, prefere-se o uso de dexmedetomidina ou propofol quando a sedação é necessária.
O método padrão-ouro para triagem na UTI é o CAM-ICU (Confusion Assessment Method for the ICU). Ele avalia quatro critérios: 1. Início agudo ou curso flutuante; 2. Inatenção; 3. Pensamento desorganizado; 4. Nível de consciência alterado. O diagnóstico requer a presença dos critérios 1 e 2, somados ao 3 ou ao 4.
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