Delirium em Idosos: Diagnóstico e Características Clínicas

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

O delirium é uma manifestação neuropsiquiátrica de doença orgânica, que acomete, principalmente, pacientes idosos, especialmente os hospitalizados. Sobre essa importante condição, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Tem início agudo e curso não flutuante, estável, facilitando muito o seu diagnóstico.
  2. B) Caracteriza-se por apresentar distúrbios na cognição, atenção e consciência, no ciclo sono-vigília e no comportamento psicomotor.
  3. C) O comportamento psicomotor encontra-se alterado, podendo ocorrer um estado de hiperatividade. Em idosos, não ocorre o delirium na forma hipoativa.
  4. D) Pacientes que desenvolvem delirium podem cursar com pior prognóstico na vigência de uma internação,  entretanto não apresentam maior taxa de institucionalização e mortalidade após alta hospitalar.

Pérola Clínica

Delirium = início agudo + curso flutuante + distúrbios atenção, consciência, cognição, ciclo sono-vigília e psicomotor.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alterações na atenção, consciência e cognição. Pode se manifestar como hiperativo, hipoativo ou misto, sendo o tipo hipoativo frequentemente subdiagnosticado em idosos.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como síndrome confusional aguda, é uma condição neuropsiquiátrica grave e comum, especialmente em pacientes idosos hospitalizados. Caracteriza-se por uma alteração aguda e flutuante da atenção, consciência e cognição, representando uma disfunção cerebral aguda. Sua prevalência é alta em UTIs e em pacientes pós-cirúrgicos, e sua identificação precoce é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (como deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e disfunção neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e deve considerar a flutuação dos sintomas ao longo do dia. É importante reconhecer as formas hiperativa, hipoativa e mista, sendo a hipoativa frequentemente subestimada. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes, além de medidas de suporte e controle ambiental. O prognóstico de pacientes com delirium é pior, associado a maior tempo de internação, aumento da taxa de institucionalização, declínio funcional e maior mortalidade. A prevenção, através da otimização do ambiente e manejo de fatores de risco, é a melhor estratégia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios incluem distúrbio da atenção e consciência, início agudo e curso flutuante, e distúrbio cognitivo adicional, não explicado por outra condição neurocognitiva pré-existente e não ocorrendo em coma.

Quais são os tipos de delirium e suas características clínicas?

O delirium pode ser hiperativo (agitação, alucinações), hipoativo (letargia, apatia) ou misto. O tipo hipoativo é mais comum em idosos e frequentemente subdiagnosticado, associado a pior prognóstico.

Por que o delirium é mais comum em pacientes idosos hospitalizados?

Idosos possuem maior vulnerabilidade cerebral, comorbidades múltiplas, polifarmácia, desidratação, infecções e procedimentos cirúrgicos, que são fatores precipitantes comuns para o desenvolvimento de delirium.

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