Delirium Tremens: Diagnóstico e Conduta de Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 44 anos é levado à sala de emergência do pronto-socorro apresentando agitação intensa, confusão mental, tremores generalizados e sudorese profusa. Ao exame físico verifica-se frequência cardíaca de 110 bpm e pressão arterial (PA) de 150 x 110 mmHg. O paciente é etilista crônico, sem antecedentes patológicos e seus familiares relatam que ele interrompeu o consumo de álcool há 48 horas. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico correto e a conduta inicial para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Delirium tremens; administração de antipsicóticos, como haloperidol.
  2. B) Delirium tremens; administração intravenosa de benzodiazepínicos, como diazepam.
  3. C) Encefalopatia hipertensiva; restrição de líquidos e monitoramento estrito da função renal.
  4. D) Encefalopatia hipertensiva; administração de nitroprussiato de sódio para redução da PA média entre 20 e 25% nas primeiras 2 horas.

Pérola Clínica

Abstinência (48-96h) + confusão + instabilidade autonômica = Delirium Tremens → Benzodiazepínicos IV.

Resumo-Chave

O Delirium Tremens é a manifestação mais grave da abstinência alcoólica, caracterizada por desorientação e hiperatividade autonômica, exigindo tratamento imediato com benzodiazepínicos para prevenir óbito.

Contexto Educacional

O Delirium Tremens (DT) é uma emergência médica com taxa de mortalidade que pode chegar a 5% mesmo com tratamento. Ocorre em cerca de 5% dos pacientes que entram em abstinência alcoólica. O quadro clínico é marcado por delirium, agitação extrema, tremores, sudorese, hipertensão e taquicardia. O tempo de início é um marcador clássico: enquanto os tremores leves surgem em 6-12h e as convulsões em 12-48h, o DT manifesta-se mais tardiamente, entre o 2º e o 4º dia de abstinência. O manejo envolve suporte clínico rigoroso (hidratação, correção de eletrólitos como magnésio e potássio, e reposição de tiamina/vitamina B1 para prevenir Encefalopatia de Wernicke) e sedação agressiva com benzodiazepínicos (Diazepam ou Lorazepam). O objetivo é manter o paciente calmo, mas despertável, monitorando constantemente a função respiratória devido ao risco de depressão ventilatória pelas altas doses de sedativos frequentemente necessárias.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia do Delirium Tremens?

O consumo crônico de álcool causa uma regulação para baixo (downregulation) dos receptores GABA (inibitórios) e uma regulação para cima (upregulation) dos receptores NMDA/glutamato (excitatórios). Com a interrupção abrupta do álcool, ocorre uma perda súbita da inibição gabaérgica e um excesso de atividade glutamatérgica, resultando em um estado de hiperexcitabilidade do sistema nervoso central e hiperatividade autonômica característica da síndrome de abstinência.

Por que os benzodiazepínicos são a droga de escolha?

Os benzodiazepínicos agem como agonistas dos receptores GABA-A, substituindo o efeito depressor central do álcool que foi retirado. Eles ajudam a controlar a agitação, reduzem a hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão), previnem a progressão para convulsões e reduzem a mortalidade associada ao Delirium Tremens. A administração deve ser guiada por escalas de sintomas, como o CIWA-Ar, ou em doses fixas com resgates.

Como diferenciar Delirium Tremens de Alucinose Alcoólica?

A principal diferença reside no estado de consciência e na estabilidade autonômica. Na alucinose alcoólica, o paciente apresenta alucinações (geralmente visuais ou auditivas) com sensório preservado (está orientado) e sinais vitais estáveis, ocorrendo geralmente 12-24h após a última dose. Já no Delirium Tremens, há desorientação franca, confusão mental e instabilidade autonômica grave (febre, sudorese profusa, taquicardia), surgindo tipicamente entre 48 e 96 horas após a cessação do consumo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo