Delirium Tremens: Diagnóstico e Manejo no Pronto-Socorro

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Homem, 42 anos, é levado ao pronto-socorro pelo SAMU após ter uma crise convulsiva em casa. Apresenta-se na admissão desorientado no tempo e espaço, com sinais de alucinações visuais (pede para tirar as pequenas aranhas em sua roupa), discurso persecutório, sudorético, inquieto, com tremores grosseiros de extremidades e sinais vitais evidenciam taquicardia e hipertensão arterial. Enfermeiros do SAMU informaram que paciente faz tratamento no CAPS AD. Assinale a alternativa que correlaciona a principal hipótese diagnóstica, uma conduta farmacológica correta e um exame laboratorial essencial a ser solicitado nessa situação:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Wernicke - tiamina - glicemia.
  2. B) Síndrome de abstinência ao álcool - diazepam - GTT (gama glutamil transferase).
  3. C) Delirium tremens - diazepam - magnésio.
  4. D) Intoxicação alcoólica - tiamina - hemograma.

Pérola Clínica

Delirium tremens = abstinência alcoólica grave → Benzodiazepínicos (Diazepam) + reposição de Magnésio.

Resumo-Chave

O quadro clínico de desorientação, alucinações visuais, tremores, sudorese, taquicardia e hipertensão em paciente com histórico de uso de álcool (CAPS AD) é altamente sugestivo de Delirium Tremens, a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica. O tratamento envolve benzodiazepínicos (como diazepam) para controlar a agitação e convulsões, e reposição de magnésio, frequentemente deficiente e importante na estabilização neuronal.

Contexto Educacional

O Delirium Tremens (DT) representa a manifestação mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, sendo uma emergência médica com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. Ocorre em indivíduos com dependência de álcool que cessam ou reduzem abruptamente o consumo, geralmente 48 a 96 horas após a última dose. O residente deve estar apto a reconhecer rapidamente este quadro, que se manifesta por hiperatividade autonômica e alterações neuropsiquiátricas. A fisiopatologia envolve uma desregulação do sistema nervoso central, com hiperexcitabilidade neuronal devido à diminuição da atividade GABAérgica e aumento da atividade glutamatérgica. Clinicamente, o paciente apresenta delirium, alucinações (visuais, táteis), agitação psicomotora, tremores grosseiros, sudorese profusa, taquicardia, hipertensão e, em casos graves, febre e convulsões. O histórico de uso de álcool e tratamento em CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) são pistas importantes. O manejo do Delirium Tremens é prioritário e visa controlar a agitação, prevenir convulsões e complicações. A terapia farmacológica de escolha são os benzodiazepínicos (ex: diazepam, lorazepam), administrados por via intravenosa e titulados até o controle dos sintomas. A reposição de tiamina é essencial para prevenir a Síndrome de Wernicke-Korsakoff. Além disso, a hipomagnesemia é comum no alcoolismo e a reposição de magnésio é crucial para reduzir a excitabilidade neuronal e o risco de convulsões e arritmias. A monitorização de eletrólitos e sinais vitais é indispensável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do Delirium Tremens?

O Delirium Tremens é caracterizado por um estado confusional agudo (delirium), alucinações (frequentemente visuais e táteis), agitação psicomotora, tremores grosseiros, sudorese intensa, taquicardia, hipertensão arterial e febre. Pode haver convulsões.

Qual a conduta farmacológica inicial para o Delirium Tremens?

A pedra angular do tratamento são os benzodiazepínicos (ex: diazepam, lorazepam) administrados por via intravenosa, titulados até o controle dos sintomas. Além disso, a reposição de tiamina (para prevenir Wernicke-Korsakoff) e eletrólitos, como o magnésio, é crucial.

Por que a reposição de magnésio é importante no Delirium Tremens?

Pacientes com alcoolismo crônico frequentemente apresentam hipomagnesemia, que pode exacerbar a excitabilidade neuronal, aumentando o risco de convulsões e arritmias cardíacas. A reposição de magnésio ajuda a estabilizar a membrana neuronal e a reduzir a irritabilidade do sistema nervoso central.

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