HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Homem, 40 anos, internou por fratura de fêmur devido à queda em casa. No terceiro dia de internação, apresentou tremor nas mãos, irritabilidade e aumento da PA. A esposa relatou que o marido ingeria vinho diariamente. Na noite daquele dia estava sudorético, apresentava fala desconexa e incoerente e parecia tentar pegar insetos no ar. No quarto dia, a irritabilidade aumentou, dando sinais de que entraria em agitação psicomotora. Apresentava enzimas hepáticas elevadas. Em relação ao caso, o diagnóstico mais provável é _______________, cujos sintomas devem ser tratados com _______________. Os _______________ devem ser evitados, pois aumentam o risco de _______________.
Abstinência alcoólica grave com alucinações e agitação → Delirium Tremens; tratar com benzodiazepínicos, evitar antipsicóticos isolados.
O paciente apresenta um quadro clássico de síndrome de abstinência alcoólica grave, evoluindo para delirium tremens, caracterizado por tremor, irritabilidade, sudorese, fala desconexa, alucinações e agitação psicomotora. O tratamento de escolha são os benzodiazepínicos, enquanto antipsicóticos devem ser usados com cautela devido ao risco de baixar o limiar convulsivo.
A síndrome de abstinência alcoólica ocorre em indivíduos dependentes de álcool que reduzem ou cessam o consumo. A fisiopatologia envolve a hiperexcitabilidade do sistema nervoso central devido à interrupção do efeito depressor do álcool (agonista GABA e antagonista NMDA), resultando em um desequilíbrio entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios. O delirium tremens é a forma mais grave da síndrome, com alta mortalidade se não tratada, geralmente surgindo 48-96 horas após a última dose. Os sintomas progridem de tremores, ansiedade, insônia e sudorese para alucinações, convulsões e, finalmente, o delirium tremens, que inclui desorientação, agitação psicomotora, hiperatividade autonômica e alucinações vívidas. O diagnóstico é clínico, baseado na história de etilismo e nos sintomas. É crucial diferenciar de outras causas de delirium, embora a história de abstinência seja um forte indicativo. O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Benzodiazepínicos são a pedra angular do tratamento, pois atuam nos receptores GABA, restaurando o equilíbrio e reduzindo a hiperexcitabilidade. A dose deve ser titulada até o controle dos sintomas. Antipsicóticos podem ser usados para agitação severa ou alucinações refratárias, mas sempre como adjuvantes e com cautela, devido ao risco de baixar o limiar convulsivo. A reposição de tiamina é fundamental para prevenir a encefalopatia de Wernicke.
O delirium tremens é caracterizado por confusão mental, desorientação, alucinações (visuais, auditivas, táteis), agitação psicomotora, tremor intenso, sudorese, taquicardia e hipertensão.
O tratamento de primeira linha são os benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam), administrados em doses tituladas para controlar os sintomas e prevenir convulsões, devido ao seu efeito GABAérgico.
Antipsicóticos podem baixar o limiar convulsivo e não tratam a fisiopatologia da abstinência alcoólica, que é a hiperexcitabilidade do SNC. Devem ser usados apenas como adjuvantes para agitação grave e refratária, sempre associados a benzodiazepínicos.
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