Delirium Tremens: Diagnóstico e Manejo Essencial na Emergência

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Sobre delirium tremens, assinale a alternativa correta

Alternativas

  1. A) Contenção mecânica imediata e administração de haloperidol intramuscular fazem parte do manejo. O uso de benzodiazepínicos é contraindicado devido ao risco de piora aguda do delirium tremens.
  2. B) O uso de fenitoína parenteral, a “hidantalização”, deve ser feito de rotina, sendo eficaz no controle de crises convulsivas.
  3. C) Monitorar, corrigir possíveis distúrbios hidroeletrolíticos, realizar hidratação vigorosa, iniciar benzodiazepínico e profilaxia para encefalopatia de Wernicke-Korsakoff podem ser ações necessárias para o manejo adequado.
  4. D) A administração de clorpromazina e outros neurolépticos sedativos de baixa potência para controle de agitação são a primeira escolha em relação ao uso de haloperidol.
  5. E) As manifestações geralmente ocorrem antes das primeiras vinte e quatro horas após a última ingesta de bebida alcóolica.

Pérola Clínica

Delirium tremens = emergência da abstinência alcoólica → Benzodiazepínicos + tiamina + suporte hidroeletrolítico.

Resumo-Chave

O delirium tremens é a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, caracterizada por hiperatividade autonômica, alucinações e desorientação. O manejo correto envolve a administração de benzodiazepínicos para controlar a agitação e prevenir convulsões, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, hidratação e profilaxia da encefalopatia de Wernicke-Korsakoff com tiamina.

Contexto Educacional

O delirium tremens (DT) representa a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, uma emergência médica que pode ser fatal se não for tratada adequadamente. Geralmente se manifesta entre 48 e 96 horas após a interrupção ou redução do consumo de álcool, embora possa ocorrer mais tarde. É caracterizado por uma tríade de delirium, alucinações (frequentemente visuais e táteis) e hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, febre, sudorese). A fisiopatologia do DT envolve a desregulação dos neurotransmissores no sistema nervoso central. O álcool potencializa a ação do GABA (neurotransmissor inibitório) e inibe o NMDA (neurotransmissor excitatório). Na abstinência, há uma súbita redução do efeito inibitório do GABA e uma superatividade do NMDA, levando à hiperexcitabilidade neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de abstinência e nos sintomas característicos. O manejo do delirium tremens é focado na sedação com benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam) para controlar a agitação e prevenir convulsões, administrados em doses tituladas até o controle dos sintomas. Além disso, é fundamental corrigir distúrbios hidroeletrolíticos (hipomagnesemia, hipocalemia), garantir hidratação adequada e, crucialmente, administrar tiamina parenteral para prevenir a encefalopatia de Wernicke-Korsakoff, uma complicação neurológica devastadora. O haloperidol pode ser usado para psicose refratária, mas sempre após os benzodiazepínicos e com cautela.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas do delirium tremens?

As manifestações incluem agitação psicomotora intensa, alucinações (visuais, táteis), desorientação, tremores, taquicardia, hipertensão, febre e sudorese profusa, geralmente ocorrendo 48-96 horas após a última dose de álcool.

Por que os benzodiazepínicos são a primeira escolha no tratamento do delirium tremens?

Os benzodiazepínicos são a primeira escolha porque atuam nos receptores GABA, que estão hipofuncionantes na abstinência alcoólica, ajudando a controlar a hiperatividade autonômica, a agitação e a prevenir convulsões, tratando a causa subjacente.

Qual a importância da tiamina no manejo do paciente com abstinência alcoólica e delirium tremens?

A tiamina é crucial para prevenir ou tratar a encefalopatia de Wernicke-Korsakoff, uma complicação neurológica grave da deficiência de tiamina comum em alcoólatras, que pode ser precipitada pela administração de glicose sem tiamina prévia.

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