UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Durante seu plantão, você é chamado pela enfermagem, pois um paciente, que está em atendimento para avaliação de uma ferida no pé, fica agitado e se dirige à lixeira para urinar. Além disso, acha que o seu estetoscópio é uma cobra. Na triagem, o paciente informou que era alcoolista, mas não bebia álcool há três dias. O paciente inicia com tremores, sudorese intensa, hipertensão e taquicardia. Está irritado e com leve desorientação alopsíquica.Assinalar a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável:
Delirium tremens = abstinência alcoólica grave com alucinações, desorientação, agitação e disautonomia (tremores, sudorese, taquicardia, hipertensão).
O Delirium Tremens é a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, geralmente ocorrendo 48-96 horas após a última dose de álcool. Caracteriza-se por delirium, alucinações (visuais, táteis), agitação psicomotora, desorientação e hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, sudorese, tremores).
O Delirium Tremens (DT) representa a manifestação mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, uma condição potencialmente fatal que ocorre em indivíduos com dependência de álcool após a redução ou interrupção abrupta do consumo. É uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento intensivo. A prevalência de DT em pacientes com síndrome de abstinência alcoólica é de cerca de 5%, mas a mortalidade pode chegar a 15% se não tratada. A fisiopatologia do DT envolve uma hiperatividade do sistema nervoso simpático e uma desregulação dos neurotransmissores, principalmente a diminuição da atividade GABAérgica e o aumento da atividade glutamatérgica, que foram cronicamente suprimidos pelo álcool. Clinicamente, o DT se manifesta com delirium, alucinações (frequentemente visuais e táteis, como "cobras" ou "insetos"), agitação psicomotora, desorientação, tremores grosseiros, sudorese profusa, taquicardia, hipertensão e febre. O início geralmente ocorre 48-96 horas após a última dose de álcool. O tratamento do Delirium Tremens é focado na sedação e controle da hiperatividade autonômica, sendo os benzodiazepínicos a medicação de escolha (ex: diazepam, lorazepam). A dose deve ser titulada até o controle dos sintomas. Além disso, é fundamental a reposição volêmica, correção de distúrbios eletrolíticos, administração de tiamina (para prevenir encefalopatia de Wernicke) e monitorização rigorosa em ambiente hospitalar, preferencialmente em unidade de terapia intensiva.
Os sintomas incluem delirium, alucinações (visuais, táteis), agitação psicomotora, desorientação, tremores, sudorese intensa, taquicardia, hipertensão e febre. Pode haver convulsões e instabilidade hemodinâmica.
Geralmente, o Delirium Tremens se manifesta entre 48 a 96 horas (2 a 4 dias) após a última ingestão de álcool, embora possa ocorrer até 7-10 dias em alguns casos, dependendo do padrão de consumo e comorbidades.
O tratamento de primeira linha é com benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam) para controlar a agitação, reduzir a hiperatividade autonômica e prevenir convulsões. Fluidos intravenosos e tiamina também são cruciais.
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