SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente masculino, 45 anos, é trazido por familiares para serviço de Emergência apresentando desorientação temporal e espacial. Refere não ter se alimentado hoje devido a náusea, associada a cefaleia de intensidade moderada. Irmã informa que o paciente é alcoolista, ingere aproximadamente um litro de aguardente por dia há alguns anos, mas que parou de beber há dois dias. Também iniciou com sintomas persecutórios, nas últimas horas, quando ficou repetindo que alguém queria invadir sua casa para lhe fazer mal. Esses sintomas são inéditos. Ao exame: Pressão arterial: 170x100 mmHg; FC: 110 bpm; tremor grosseiro em mãos e sudorese, sem outras alterações. Ansioso, relata que vê formigas em seus braços, inclusive tenta matá-las, embora não haja formiga ou qualquer outra alteração em sua pele. Qual a conduta inicial a ser adotada?
Alcoolista + abstinência recente + desorientação/alucinações/hiperatividade autonômica → Delirium Tremens = Benzodiazepínico.
O Delirium Tremens é uma emergência médica na síndrome de abstinência alcoólica, caracterizada por hiperatividade autonômica, desorientação e alucinações. O tratamento inicial e fundamental é a administração de benzodiazepínicos para controlar a hiperexcitabilidade do sistema nervoso central.
O Delirium Tremens (DT) é a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, uma emergência médica com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. Ocorre em indivíduos com dependência de álcool que cessam ou reduzem abruptamente o consumo. A prevalência de DT em pacientes com abstinência alcoólica é de aproximadamente 5-10%, e a mortalidade pode chegar a 15% sem tratamento. A fisiopatologia do DT envolve a desregulação dos neurotransmissores no sistema nervoso central. O álcool é um depressor do SNC, potencializando a ação do GABA (neurotransmissor inibitório) e inibindo o glutamato (neurotransmissor excitatório). Na abstinência, há uma súbita remoção do álcool, levando a uma hiperexcitabilidade neuronal com aumento da atividade glutamatérgica e diminuição da atividade GABAérgica. O diagnóstico é clínico, baseado na história de abstinência e nos sintomas característicos. A conduta inicial é a administração de benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam) por via oral ou intravenosa, com doses tituladas até o controle dos sintomas. O objetivo é sedar o paciente o suficiente para controlar a agitação e os sintomas autonômicos, mas sem causar depressão respiratória excessiva. Além disso, é crucial fornecer suporte hidroeletrolítico, tiamina (para prevenir encefalopatia de Wernicke) e monitorar sinais vitais de perto em ambiente hospitalar. A observação contínua é fundamental para ajustar a medicação e prevenir complicações.
Os sintomas incluem desorientação, agitação psicomotora, alucinações (visuais, táteis), tremores grosseiros, sudorese intensa, taquicardia e hipertensão, geralmente surgindo 48-96 horas após a última dose de álcool.
Os benzodiazepínicos atuam modulando os receptores GABA, que são cronicamente inibidos pelo álcool. Eles ajudam a restaurar o equilíbrio neuroquímico, reduzindo a hiperexcitabilidade do SNC e controlando os sintomas de abstinência.
Sem tratamento adequado, o Delirium Tremens pode levar a convulsões, arritmias cardíacas, hipertermia, rabdomiólise, insuficiência respiratória e até morte, sendo uma condição com alta mortalidade.
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