ENARE/ENAMED — Prova 2022
Um homem de 62 anos está internado há 2 dias devido à fratura de pé D. Possui histórico de consumo de bebida alcoólica em grande quantidade, principalmente destilados. Apresenta agitação importante, tremores, febre baixa e taquicardia, além de delírios audiovisuais. Em relação ao tratamento medicamentoso da abstinência alcoólica, assinale a melhor alternativa nesse caso.
Delirium Tremens: Agitação, tremores, febre, taquicardia, delírios → Benzodiazepínicos EV (Diazepam) são 1ª linha.
Em casos de abstinência alcoólica grave, como o Delirium Tremens, com agitação e delírios, a via endovenosa dos benzodiazepínicos é preferencial para um início de ação rápido e controle dos sintomas. O Diazepam é uma excelente escolha devido à sua longa duração e eficácia.
A síndrome de abstinência alcoólica é uma condição comum e potencialmente fatal, que ocorre em indivíduos com dependência de álcool após a interrupção ou redução do consumo. Sua gravidade varia desde sintomas leves (tremores, ansiedade) até o Delirium Tremens, uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A prevalência é alta em pacientes internados com histórico de etilismo, tornando seu manejo crucial para residentes de diversas especialidades. A fisiopatologia envolve a hiperatividade do sistema nervoso central devido à interrupção da supressão crônica do álcool sobre os receptores GABA e à superestimulação dos receptores NMDA. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico de consumo e nos sintomas apresentados. É fundamental suspeitar de Delirium Tremens em pacientes com agitação, tremores, febre, taquicardia e delírios após a interrupção do álcool, especialmente em ambientes hospitalares onde o acesso ao álcool é restrito. O tratamento visa controlar a hiperatividade autonômica e prevenir complicações. Benzodiazepínicos são a pedra angular do tratamento, com Diazepam ou Lorazepam sendo as escolhas mais comuns, administrados por via endovenosa em casos graves para rápida sedação e controle dos sintomas. A dose deve ser titulada até o controle da agitação e dos sinais vitais. O manejo também inclui suporte hidroeletrolítico, reposição de tiamina para prevenir encefalopatia de Wernicke e monitoramento contínuo dos sinais vitais.
O Delirium Tremens é a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica, caracterizada por agitação psicomotora intensa, tremores generalizados, febre, taquicardia, hipertensão, sudorese profusa e delírios (principalmente visuais e auditivos), podendo evoluir para convulsões e coma.
O tratamento de primeira linha são os benzodiazepínicos, como o Diazepam ou Lorazepam, administrados por via endovenosa em doses tituladas. Eles atuam potencializando a ação do GABA, o principal neurotransmissor inibitório, contrariando a hiperatividade do sistema nervoso central causada pela abstinência de álcool.
Outras medicações podem ser consideradas em casos refratários ou para manejo de sintomas específicos. Antipsicóticos (como haloperidol) podem ser usados com cautela para delírios e agitação severa que não respondem aos benzodiazepínicos, mas sempre como adjuvantes e com monitoramento do intervalo QT.
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