HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025
Idosa, 86 anos, viúva, do lar, portadora de Doença de Alzheimer fase 2, hipoacusia, gonartrose de joelhos e baixa mobilidade, iniciou, subitamente, quadro de sonolência diurna, insônia com agitação psicomotora noturna, com alucinações visuais, agitação; a idosa apresentava olhar vago, não focava atenção, apesar destes sintomas flutuarem durante o dia. Informação da família que a paciente cursava ainda com inapetência e constipação (há 10 dias sem evacuar). Medicamentos de uso regular: Donepezila 10mg/dia, Memantina 20mg/dia, Clonazepam 2mg/noite, Tramal 100mg/dia.\\n\\nSão fatores de risco para reversíveis para o quadro atual desta paciente, EXCETO:
Início súbito + flutuação + déficit de atenção = Delirium (sempre investigar causas orgânicas/medicamentosas).
O delirium é uma emergência médica geriátrica multifatorial. Identificar e reverter fatores precipitantes (infecções, drogas, distúrbios metabólicos) é o pilar do tratamento.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por uma alteração aguda da atenção e da consciência. Em idosos com Doença de Alzheimer, a reserva cognitiva reduzida aumenta a vulnerabilidade a insultos sistêmicos. O quadro clínico da paciente (sonolência, agitação noturna, alucinações) é clássico do delirium misto. A investigação deve focar em fatores precipitantes reversíveis, como infecções (ITU é a mais comum), desequilíbrios hidroeletrolíticos, dor e o uso de medicações inapropriadas para idosos (Critérios de Beers). Embora a constipação seja um gatilho clássico, a questão foca na identificação de fatores que podem ser modificados para estabilizar o quadro agudo.
O Confusion Assessment Method (CAM) baseia-se em quatro critérios: 1. Início agudo e curso flutuante; 2. Inatenção; 3. Pensamento desorganizado; 4. Alteração do nível de consciência. O diagnóstico de delirium exige a presença dos critérios 1 e 2, somados ao 3 ou ao 4. É a ferramenta padrão-ouro para triagem à beira do leito.
O delirium tem início súbito (horas a dias), curso flutuante e déficit de atenção marcante. A demência é crônica, progressiva e a atenção costuma estar preservada nas fases iniciais. O delirium frequentemente ocorre 'sobreposto' à demência em idosos vulneráveis, agravando o prognóstico funcional.
Medicamentos com atividade anticolinérgica, benzodiazepínicos (como o clonazepam), opioides (como o tramadol), corticoides e alguns anti-histamínicos são gatilhos frequentes devido à redução da reserva colinérgica no SNC do idoso. A revisão da prescrição é o primeiro passo no manejo.
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