Delirium Pós-Operatório: Fatores de Risco e Prevenção

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 72 anos de idade, foi admitido na Unidade de Terapia Intensiva após a realização de revascularização do membro inferior esquerdo. No primeiro dia de pós-operatório evoluiu com agitação, confusão mental e flutuação do nível de consciência. Tem história prévia de doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral prévio com déficit cognitivo leve secundário, hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes tipo 2, além de ser ex-tabagista e ex-etilista. Ao exame, a única alteração presente, além daquelas relacionadas à vasculopatia, era um IMC de 17,2kg/m². Considerando a principal hipótese diagnóstica para o quadro atual, qual é o fator de risco principal apresentado pelo paciente que mais aumentou o seu risco de desenvolvimento desta complicação?

Alternativas

  1. A) Tabagismo prévio
  2. B) Desnutrição grave
  3. C) Cirurgia de grande porte
  4. D) Doença grave (DAC) coexistente
  5. E) Déficit cognitivo preexistente

Pérola Clínica

Déficit cognitivo preexistente é o principal fator de risco isolado para o desenvolvimento de delirium no paciente idoso hospitalizado.

Resumo-Chave

O delirium é uma disfunção cerebral aguda precipitada por um estressor (como cirurgia ou infecção) em um cérebro vulnerável. Fatores como demência ou déficit cognitivo prévio diminuem a reserva funcional cerebral, tornando o paciente muito mais suscetível a desenvolver delirium, sendo este o preditor mais forte.

Contexto Educacional

O delirium, ou estado confusional agudo, é uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por uma perturbação aguda e flutuante da consciência, atenção e cognição. É uma complicação extremamente comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e em unidades de terapia intensiva, e está associado a piores desfechos, como maior tempo de internação, declínio funcional e aumento da mortalidade. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores, inflamação sistêmica e estresse oxidativo, que levam a uma disfunção cerebral global. É fundamental entender que o delirium resulta da interação entre a vulnerabilidade do paciente (fatores predisponentes) e a exposição a insultos nocivos (fatores precipitantes). O déficit cognitivo preexistente é o fator predisponente mais forte, pois indica uma menor reserva cerebral para lidar com estressores fisiológicos como uma cirurgia de grande porte. O manejo eficaz do delirium se baseia na prevenção e na abordagem multifatorial. A prevenção envolve estratégias não farmacológicas, como orientação, mobilização precoce, manutenção do ciclo sono-vigília e manejo da dor. Uma vez instalado, o tratamento foca na identificação e correção dos fatores precipitantes. O uso de antipsicóticos é reservado para casos de agitação que colocam em risco o paciente ou a equipe, e deve ser feito em baixas doses e por curto período.

Perguntas Frequentes

Como diagnosticar delirium em um paciente na UTI?

O diagnóstico é clínico, auxiliado por ferramentas como o CAM-ICU (Confusion Assessment Method for the ICU). Ele avalia quatro características: 1) início agudo ou curso flutuante, 2) desatenção, 3) pensamento desorganizado e 4) alteração do nível de consciência. O diagnóstico requer a presença das características 1 e 2, mais a 3 ou a 4.

Qual a conduta inicial no manejo do delirium?

A abordagem inicial é focada em medidas não farmacológicas. Isso inclui a identificação e tratamento do fator precipitante (infecção, distúrbio metabólico), revisão e suspensão de medicamentos delirogênicos, manejo da dor, mobilização precoce, melhora do ciclo sono-vigília e reorientação frequente do paciente.

Quais são os principais fatores de risco para o delirium?

Os fatores de risco se dividem em predisponentes (vulnerabilidade do paciente) e precipitantes (gatilhos). O principal predisponente é o déficit cognitivo/demência. Outros incluem idade avançada, desnutrição e múltiplas comorbidades. Precipitantes comuns são cirurgias, infecções, uso de sedativos e restrição física.

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