HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Homem, 70 anos de idade, no primeiro dia pós-operatório de ressecção transuretral de próstata por hiperplasia prostática benigna sintomática, apresenta agitação psicomotora e discurso desconexo, sem reconhecer o acompanhante. Sem relato de episódio semelhante prévio e sem comorbidades. Ao exame neurológico não se identificam déficits focais nem rigidez meníngea, apenas confusão mental. Qual é a droga de primeira escolha para tratamento?
Delirium pós-operatório em idoso com agitação → Haloperidol é primeira escolha.
O delirium pós-operatório é comum em idosos e se manifesta com agitação, confusão e discurso desconexo. O Haloperidol é a droga de primeira escolha para o tratamento dos sintomas psicóticos e da agitação, devido à sua eficácia e perfil de segurança relativamente favorável em comparação com benzodiazepínicos, que podem piorar o quadro de confusão.
O delirium é uma disfunção cerebral aguda e reversível, caracterizada por uma alteração flutuante da atenção e da cognição. É uma complicação comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos submetidos a cirurgias, como a ressecção transuretral de próstata (RTU). O delirium pós-operatório é um preditor independente de piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, aumento da morbimortalidade e declínio funcional e cognitivo a longo prazo. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (principalmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e estresse oxidativo. O diagnóstico do delirium é clínico, baseado na observação de alterações agudas e flutuantes no nível de consciência, atenção e cognição. A apresentação pode ser hiperativa (agitação, alucinações), hipoativa (letargia, apatia) ou mista. No caso de agitação psicomotora e discurso desconexo, a intervenção farmacológica pode ser necessária. O Haloperidol é amplamente considerado a droga de primeira escolha para o tratamento dos sintomas psicóticos e da agitação no delirium, devido à sua eficácia e perfil de segurança em baixas doses. É fundamental que o residente saiba que os benzodiazepínicos devem ser evitados como primeira linha, pois podem exacerbar a confusão e prolongar o delirium, sendo reservados para casos de abstinência. Além da farmacoterapia, o manejo do delirium exige uma abordagem multifacetada, incluindo medidas não farmacológicas como reorientação, otimização do ambiente, controle da dor, correção de distúrbios metabólicos e mobilização precoce. A prevenção e o reconhecimento precoce são as melhores estratégias para melhorar os desfechos dos pacientes.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades pré-existentes (demência, AVC prévio, doença de Parkinson), polifarmácia, desidratação, privação de sono, dor não controlada, uso de cateteres, infecções, e o tipo de cirurgia (especialmente cardíacas, ortopédicas e urológicas, como RTU de próstata).
O Haloperidol é um antipsicótico de primeira geração que atua bloqueando receptores dopaminérgicos. É eficaz no controle da agitação e dos sintomas psicóticos do delirium, tem rápido início de ação, está disponível em formulações oral e parenteral, e possui menor potencial de efeitos anticolinérgicos em comparação com outros antipsicóticos, sendo geralmente bem tolerado em baixas doses em idosos.
As medidas não farmacológicas são cruciais e incluem reorientação constante do paciente, manutenção de um ambiente calmo e bem iluminado, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, controle da dor, otimização do sono, mobilização precoce, remoção de cateteres desnecessários e garantia de hidratação e nutrição adequadas.
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