Delirium Pós-Operatório em Idosos: Diagnóstico e Conduta

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um senhor de 75 anos passou por uma cirurgia ortopédica para reparação de uma fratura no quadril. Dois dias após a cirurgia, ele começa a apresentar um quadro de confusão mental, desorientação, agitação e alucinações visuais, principalmente no período noturno. Durante a visita diurna com o médico assistente, o paciente apresentou-se consciente e orientado, conversou calmamente e perguntou sobre os familiares e a sua própria alta hospitalar. No período noturno, o paciente apresentou novamente o quadro de confusão e agitação.Diante do quadro confusional descrito, assinale a conduta indicada.

Alternativas

  1. A) Encaminhar o paciente para eletroconvulsoterapia, pois trata-se de uma emergência clínica com risco de vida.
  2. B) Estabilizar o quadro confusional com anticonvulsivantes e investigar o funcionamento cerebral por meio de neuroimagem para descartar um quadro de psicose.
  3. C) Monitoramento de sinais vitais e corrigir eventuais distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos. Investigar as possíveis causas de confusão mental, por exemplo, um foco infeccioso. Administrar medicamentos sintomáticos para a agitação psicomotora.
  4. D) Solicitar um teste neuropsicológico e prescrever medicamentos anticolinesterásicos para prevenir a evolução do quadro para demência de Alzheimer.

Pérola Clínica

Delirium = flutuação do nível de consciência + déficit de atenção. Investigar causas orgânicas SEMPRE.

Resumo-Chave

O delirium pós-operatório é uma emergência médica multifatorial. O manejo foca na identificação da causa base (infecção, dor, distúrbios metabólicos) e medidas ambientais.

Contexto Educacional

O delirium é uma manifestação comum de insuficiência cerebral aguda em idosos hospitalizados, especialmente após grandes cirurgias ortopédicas. A fisiopatologia envolve neuroinflamação e desequilíbrio de neurotransmissores, exacerbados pelo estresse cirúrgico. O diagnóstico é clínico, frequentemente utilizando ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). O manejo eficaz requer uma abordagem proativa: otimização da analgesia (preferindo poupadores de opioides), mobilização precoce, hidratação adequada e reorientação constante. A investigação laboratorial deve ser ampla, buscando focos infecciosos e alterações metabólicas, pois o delirium é frequentemente o único sinal de uma complicação sistêmica grave no idoso.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar delirium de demência no ambiente hospitalar?

O delirium caracteriza-se por um início agudo (horas ou dias) e curso flutuante, com prejuízo marcante da atenção e nível de consciência alterado. Já a demência tem início insidioso, curso progressivo e a consciência geralmente é preservada até estágios avançados. No hospital, um idoso com demência prévia tem risco muito maior de desenvolver delirium sobreposto, o que exige vigilância constante para mudanças súbitas no comportamento ou cognição.

Quais são os principais gatilhos para delirium no pós-operatório?

Os gatilhos comuns incluem dor não controlada, uso de medicamentos com propriedades anticolinérgicas ou benzodiazepínicos, distúrbios hidroeletrolíticos (como hiponatremia), hipóxia, retenção urinária, constipação e infecções (especialmente urinárias e pulmonares). O ambiente hospitalar, com privação de sono e falta de pistas temporais (janelas, relógios), também contribui significativamente para a desorientação do paciente idoso.

Qual a conduta farmacológica na agitação psicomotora grave?

O tratamento farmacológico deve ser reservado para casos onde há risco de auto ou heteroagressão ou interrupção de tratamentos essenciais (ex: retirada de cateteres). Antipsicóticos em baixas doses, como o haloperidol, são frequentemente utilizados, mas devem ser evitados em pacientes com Doença de Parkinson ou Demência de Corpos de Lewy. O foco principal deve ser sempre o manejo não farmacológico e a correção da causa subjacente.

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