Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Um senhor de 75 anos passou por uma cirurgia ortopédica para reparação de uma fratura no quadril. Dois dias após a cirurgia, ele começa a apresentar um quadro de confusão mental, desorientação, agitação e alucinações visuais, principalmente no período noturno. Durante a visita diurna com o médico assistente, o paciente apresentou-se consciente e orientado, conversou calmamente e perguntou sobre os familiares e a sua própria alta hospitalar. No período noturno, o paciente apresentou novamente o quadro de confusão e agitação.Qual é o diagnóstico provável para esse quadro clínico?
Idoso pós-cirurgia com confusão flutuante, agitação noturna e lucidez diurna → Delirium pós-operatório.
O quadro clínico de confusão mental aguda, desorientação, agitação e alucinações visuais, com flutuação dos sintomas (piora noturna e melhora diurna), em um paciente idoso após cirurgia, é altamente sugestivo de delirium pós-operatório. Este é um diagnóstico comum e grave em pacientes geriátricos hospitalizados.
O delirium pós-operatório é uma complicação neuropsiquiátrica aguda e comum em pacientes idosos submetidos a cirurgias, especialmente ortopédicas. Caracteriza-se por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência, acompanhada de distúrbios cognitivos. A incidência pode variar de 15% a 50% em cirurgias de grande porte, sendo um preditor independente de morbidade e mortalidade. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica, estresse cirúrgico, efeitos da anestesia, dor, privação de sono e condições médicas pré-existentes (demência, desidratação, infecções, distúrbios eletrolíticos). A apresentação clínica pode ser hiperativa (agitação, alucinações), hipoativa (letargia, apatia) ou mista, com a flutuação dos sintomas ao longo do dia, frequentemente piorando à noite, sendo um marco diagnóstico. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. O manejo envolve a identificação e tratamento das causas subjacentes, otimização do ambiente (iluminação, relógio, calendário), mobilização precoce, controle da dor, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos. O uso de antipsicóticos (como haloperidol) deve ser reservado para casos de agitação severa que coloquem o paciente ou a equipe em risco, sempre com cautela devido aos efeitos adversos em idosos. A prevenção é a melhor estratégia, focando na identificação de pacientes de risco e na implementação de medidas não farmacológicas.
O delirium é caracterizado por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência, acompanhada de distúrbios cognitivos (desorientação, memória, linguagem) e perceptivos (alucinações). A flutuação dos sintomas, com piora noturna, é um achado clássico.
Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades múltiplas, polifarmácia, histórico de delirium, demência pré-existente, cirurgias de grande porte (especialmente ortopédicas), anestesia prolongada, dor não controlada e privação de sono.
O delirium tem início agudo, curso flutuante e é um distúrbio da atenção primariamente. A demência tem início insidioso, curso progressivo e é um distúrbio da memória e outras funções cognitivas, com atenção geralmente preservada no início.
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